Se o branco é a união de todas as cores
e se podemos visualizar quaisquer símbolos e imagens com as mais diversas construções de significados (a "língua" pela qual você lê no momento, por exemplo),
podemos pensar que, se retirarmos algumas cores de um fundo branco,
ou seja, de algo com todas e quaisquer mensagens visuais intrínsecas,
poderemos gerar quaisquer imagens ou mensagens possíveis.

Alguns instantes atrás, mesmo que não saiba, você visualizava muito mais do que o que vê agora, pois o que vê agora não passa de uma única possibilidade. Volte para o branco e imagine qualquer coisa, ou mesmo coisa alguma (se for capaz).

É estranho saber que tudo é gerado a partir da possibilidade de existência de um único número que comporta e ultrapassa todos os outros.
Se afundar no mistério é engrandecer sem limites a existência.
Aqueles que temem o escuro e ou o silêncio demonstram claramente que temem o acaso e a liberdade (de pensamento e imaginação).
No escuro e no silêncio tudo parece uma grande novidade, uma realidade que se mostra de maneira abrupta.
No escuro e no silêncio reside o inexplorado.

Antagonismo (in)explorado

Somente
No escuro e no silêncio
reside o inexplorado
No escuro e no silêncio reside o inacabado
No escuro e no silêncio reside o (in)existente
Na
(in)dependência
Da
Imagem-em-ação.

imaginação

(...)
Só-mente

À árvore basta conviver com e pelo acaso.


*Do livro de auto-(des)ajuda: Existencialismo Ateu das Árvores. Autor: Thiago Miotto.

As obras guardadas sem cuidado por muito tempo voltam-se contra seu criador: antes havia uma adega repleta do mais saboroso vinho, hoje o que resta é um oceano de vinagre.
Com o passar dos anos o nosso desgosto se torna tão grande que até o escrever se mostra inútil.
Existirá algum desastre natural mais trágico do que o nascimento de nossa espécie?
O homem ora para que a Natureza não o avassale com "desastres naturais". É necessário levar em conta que mesmo a enchente do Rio Amarelo de 1931, que estima-se que matou de 1 a 4 milhões de pessoas e foi considerada por alguns como o que já houve de mais mortal nos desastres naturais, não se compara ao número de mortes das guerras que criamos visando os mais ridículos objetivos.

Penso que o homem deveria orar pedindo para cobiçar menos e respeitar mais, ou talvez orar para começar a cogitar a finitude enquanto indivíduo e espécie, a fim de não perder tempo com feitos medíocres, ou ainda orar para deixar de acreditar no "poder da oração", a fim de levantar a bunda do lugar e ir atrás de fazer o que deve ser feito.

Por fim, eu, que já ia me esquecendo do egoísmo e da ganância dos crédulos em geral, talvez deva orar para refrescar minha memória.
Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. É uma pena que a grande maioria das pessoas acredite que, através das palavras, duas percepções possam. A invenção da civilização surge neste ponto.

Compartilhar nos força a tendermos ao centro, nos força à mediocridade. Levando em conta que toda soma de variáveis aleatórias independentes de média finita e variância limitada é aproximadamente Normal, desde que o número de termos da soma seja suficientemente grande, é necessário que, desejosos de auto-conhecimento, além de buscarmos o máximo isolamento impressivo e expressivo, desconfiemos das variáveis vistas com bons olhos.
O eu só pode ser chamado de eu em tal condição. Nos pontos extremos da curva nossas expressões, mesmo que ininteligíveis, finalmente transcendem quaisquer julgamentos e valores baseados no capital ou na percepção geral.
Um lingüista geralmente se sai melhor do que um gramático como escritor e poeta por ter como foco interpretações e não convenções, algo que o torna um poliglota dentro de uma única língua.
Um homem que queira falar a um grande número de pessoas e ser compreendido deve necessariamente possuir pouca percepção a mais que a platéia geral. Àquele que chegou muito longe o mero rebaixar-se nunca bastará, será necessário mentir para si.
Tudo o que gera uma grande quantia de dinheiro é contra a liberdade.
Aquele que quer manter as mesmas amizades indefinidamente deve não se importar com a mentira e a prisão. É, com toda certeza, pessoa pouco confiável.
Não existe pessoa mais sadomasoquista do que aquela que se casa com um gênio.
Buscar tudo, nada encontrar; provar inúmeras desgraças ciente que outras virão e que não existem limites para o sofrimento; prosseguir. Haverá loucura maior do que a de alguém que assim existe?
Como ter paz depois de haver nascido?
Como ser feliz depois de viver alguns anos?
O homem que possa ser descrito não passa de um tolo. O homem que não possa ser descrito não passa de um miserável.
- Há quanto tempo vive no asilo?

- Há 11 anos.

- A senhora sai para passear, fazer alguma coisa?

- Não. Não tenho mais parentes.

- O que a senhora faz aqui?

- Nada.

- Como é a rotina aqui no asilo?

- A gente acorda, come e dorme.
Sem Google a internet seria um erro. (Nietzsche)

Depois do ateísmo (forte e fraco), agnosticismo, teísmo, deísmo, politeísmo, panteísmo, ismo-ismo-ismo, a palavra deus se encaixa em qualquer coisa e em coisa alguma. Mataram a frônese por alguns trocados e, na maioria das vezes, um placebo psicológico.

Eu, se fosse um deus, daria uma devolutiva ao senador Ernie Chambers e processaria os homens por uso indevido de imagem.

Ops... me esqueci, Ernie Chambers é monoteísta. Afinal, do que estamos falando?

Pior do que arrastar-se pela existência é arrastar-se pela existência sem conseguir dormir. Para o desgosto e para a fadiga não existem limites. A insônia só pode ser um castigo dos deuses.
A liberdade máxima chama-se morte, o mesmo para a prisão.
É curioso como corpo e pensamento trabalham às avessas em alguns pontos. Enquanto o exercitar do corpo tende a torná-lo mais equilibrado, o exercitar do pensamento tende ao caos auto-atualizado.
Nossa respiração, nossos batimentos cardíacos, nosso sono, tudo no corpo nos força a prosseguirmos vivos. As palavras do homem que diz preferir a morte ante a existência são refutadas sem necessidade de argumentos, são refutadas por sua própria respiração.
O Homem é o bicho mais preso e liberto do planeta. Não é por acaso que somos os inventores da jaula e do telescópio, talvez até da Música e da Matemática.
As obras mais interessantes, a meu ver, são, não por mero acaso, as que surgiram ou se colocaram o mais distante possível dos processos civilizatórios.
Atualmente existem três tipos de artistas:

O que engana, sabendo que está enganando.
O que engana por desconhecimento, inconscientemente.
O que produz algo verdadeiro, mas, por este motivo, (quase) finda com sua saúde.
As trocas e conexões entre consciência, inconsciência e realidade podem ser vistas como uma fractal a partir de um observador: finito tendendo ao infinito e vice-versa. O místico, experenciando tal percepção com mais força que o humano geral, nada mais é do que alguém que se entrega a ela sem grandes contestações. O cético, experenciando tal percepção com tanta força quanto o místico, nada mais é do que alguém que a enxerga, mas, insatisfeito, a nega.
Gosto da Terra por tudo o de pior que ela me causou. Se eu pudesse trocar a Terra pelo Paraíso, eu optaria por me manter aqui. Amo a miséria e este planeta como poucos.
A palavra jamais deveria ter sido inventada ou descoberta.

Aos escritores e poetas de plantão que pensam que a palavra enriquece nossas vidas, eu recomendo que prestem atenção ao que fala Alberto Caeiro. Frente a Caeiro, Fernando Pessoa deve ter pensado muito em rasgar tudo o que havia escrito antes ou, quiçá, na possibilidade do suicídio.

Quanto mais entendemos da História da Arte, mais vemos o quão impossível é criar uma obra genuína na atualidade. É ridículo qualquer esforço grandioso quando tudo o que fazemos é fundir tendências, descobrimentos e invenções do passado.

Para dar um exemplo, é possível contar nos dedos quantas mentes no mundo atual produzem algo na música que realmente vai além do que já foi proposto. O mesmo deve ser válido para pintura, poesia, dança, teatro, cinema, entre outros. No entanto, encontramos supostos "inovadores" a cada esquina.

Alguns me dizem que devemos utilizar as mesmas técnicas propostas anteriormente para versar a respeito do social. Ora, o social está aí aos olhos de todos, existem inúmeras teorias que dão uma visualização a respeito dele e ninguém até agora conseguiu mudar mais do que uma ínfima parte, mesmo com a maior consciência e engajamento do mundo.

Alguns dizem que nos resta maximizar e fundir as mesmas técnicas e propostas anteriores para flertar com novas imagens e possibilidades. Pois bem, o Universo, quando choca galáxias inteiras, faz isso todos os dias em proporções muito maiores.

Outros colocam a discussão do conceito e a arte conceitual como última saída para chocar a visão alheia no mundo contemporâneo. A Filosofia também está repleta de conceitos empilhados em livros que somente pessoas ociosas apreciam e versam a respeito.

Talvez a Arte não passe de uma ilusão derradeira que se adapte ao olhar do observador (sempre limitado). Tal como a fractal, na Arte, se buscarmos nos aprofundar em um mísero ponto, veremos que não há fim, mas o observador-comum verá uma imagem limitada caso se detenha naquele ponto, podendo iludir-se pensando que ali está uma imagem delineada, estática, algo pelo qual vale a pena esforçar-se para produzir ou mesmo contemplar com mais sensibilidade.

Obs.: o vídeo que você pode visualizar clicando aqui consiste em dar zoom em um mísero ponto de uma imagem denominada "Fractal de Mandelbrot" - a mesma imagem que consta do início do post, auto-similar em vários pontos, isto é, uma imagem que se encontra novamente dentro de si infinitamente em várias partes -, o vídeo foi gerado durante um ano por três computadores interligados e possui o tamanho do Universo conhecido até o momento.

Alguma semelhança com as pouquíssimas e verdadeiras vanguardas atuais, com a "auto-atualização" de alguns poucos seres humanos ou com alguns processos do Universo é mera coincidência.

Mais uma vez, um brinde às nossas ilusões e aos posts mal escritos!

A felicidade só existe na presença ou na esperança da ilusão.
A vida possui o mesmo valor do acaso, seja ele qual for.

Mesmo com inúmeras evidências em pesquisas apontando a favor da hipótese de que o homem causa mais acidentes no trânsito, ainda assim a mulher é a maior responsável pela causa da maioria deles.

Quando se é homem, hetero e solteiro fica fácil verificar o que digo, principalmente quando você está dirigindo e certas paisagens parecem surgir dos páramos celestes, ou quando alguma garota pára ao lado e pede para que anote seu telefone e ligue mais tarde.

Enfim, mulheres, não adianta, com pesquisas ou não, vocês são as maiores causadoras de acidentes no trânsito.
Talvez eu goste tanto do sexo não somente pelas sensações que ele me causa, mas por ser, somente junto da Música, o único que consegue me privar de meus pensamentos por alguns instantes.

O ideal é a mistura de música e sexo, mas desconfio que tal combinação, feita nas proporções que aprecio, deva ser tão perigosa quanto ser voluntário para fazer teste como homem bomba.

Eu não ousaria ouvir determinadas músicas e gozar ao mesmo tempo. Você ousaria?

Existem dois tipos de sensibilidades opostas que possuem uma vida insuportável em muitos momentos:


O crédulo extremo, por crer e absorver tudo o que se mostra às suas percepções, sem conseguir distanciar-se e fazer comparações com memórias anteriores e sem conseguir visualizar o que se mostra no momento como algo passageiro, sofre, por conseqüência, brutalmente com os ataques do acaso quando este se mostra aversivo.


O cético extremo, por descrer de tudo o que se mostra às suas percepções, fazendo comparações incessantes com tudo o que puder e restando-lhe como certeza apenas sua existência no momento, toma tudo como relativo e passageiro.

O primeiro fica cego pelas sensações, o segundo pelas dúvidas. Ambos, aparentemente opostos, possuem mais em comum do que imaginam.
O mais ínfimo momento do existir de uma única consciência já justificaria a necessidade da existência de todo o Cosmos.
É fácil compreender o motivo da pessoa que se encaixa nos padrões de beleza de uma época geralmente vir acompanhada de uma extrema falta de percepção. É necessária uma extrema solidão para se começar a deixar a percepção do comum.

A beleza de uma pessoa é uma faca de dois gumes - atrai novas companhias, mas repele diversidade e profundidade de perspectivas devido ao ofuscar da visão e do pensamento alheio frente ao brilho (aparentemente eterno) de sua beleza.

Deve ser este o motivo das pessoas em geral só encontrarem alguma sabedoria na velhice ou bem próximas da morte, quando sua aparência ou a dos outros já não fazem tanta diferença.
Ao contrário do que o senso comum pensa a respeito dos escritores, eles não passam de inadaptados para fins práticos no campo do socialmente útil e aceito. Um homem com certo talento, ânimo e boas oportunidades em tais fins, jamais poderia ser sequer um escritor mediano e provavelmente nem sentisse a necessidade de escrever uma linha sequer em vida.

Escrever o que todos já percebem é inútil, escrever de maneira lógica ou técnica pertence ao campo das filosofias e ciências, o que deixa ao inadaptado de nascença somente a saída de torcer a linguagem, retorcendo o inútil, o ínfimo, o surreal, o ilusório, ou não servindo sequer para este ofício do não-ofício, tornando-se, conseqüentemente, mais um enganador de ignorantes.

Valendo 10,00:

Leia o texto atentemente para responder a questão. Escreva uma redação coerente, com letra legível, utilizando a norma culta da língua portuguesa. Ortografia e desempenho sexual serão levados em conta.

A Holanda é a terra da prostituição de vanguarda, pois lá, há muitos anos, as mulheres se oferecem em vitrines e a grande maioria das pessoas acha normalíssimo. No entanto, a Holanda está perdendo seu posto, pois mostra-se retrógrada no quesito de ainda só atender individualmente seus clientes.

A micareta caminha em uma nova proposição de vanguarda - a prostituição coletiva. Em vista das centenas de reais que um adepto da prostituição individual costuma gastar, muitas vezes compensa trocar um serviço a dois por algo mais diversificado; este novo gênero de prostituição, em vista de tal possibilidade, oferece benefícios ao usuário como poder pular atrás de um fundo sonoro (vulgo "música"), roçar o genital em vários genitais desconhecidos e assegurar-se de que lamberá dezenas de línguas sem grande esforço.

O mais curioso (ou não tão curioso assim, posto que a ICAR proibia prostíbulos antigamente, mas tinha alguns particulares para o uso do clero) é que a própria Igreja criou a micareta, o que colabora mais uma vez com a hipótese (?) de que tudo na Igreja vira putaria.

A competição entre a prostituição individual e a prostituição coletiva começa a ficar mais visível, e a dita mais antiga profissão do mundo começa a ter tantos adeptos que as previsões para este mercado são pessimistas para os profissionais, mas otimistas para os que utilizam de tais serviços.

Com a crise da economial mundial, junto da crescente oferta de trabalhadores, o mercado da prostituição sofre uma forte crise e precisa buscar novas fontes de renda.

1) Supondo que amanhã todos nós ficaremos desempregados e não mais existirão vagas em bórdeis e bolsas para investir (salvo nas das profissionais do sexo que já não tiverem sido assaltadas), com base no texto e em vista da crise mundial, o que você propõe para ser o próximo investimento da prostituição de vanguarda?

A homeostase é a maior bênção e maldição que pode existir.
É necessária cautela ao querer estar junto de um homem solitário, principalmente quando ele não parece ver diferença entre estar só ou acompanhado. Homens assim só podem ofertar a própria desilusão, pois, com exceção da própria existência, não possuem mais nada.
A Literatura em muitos momentos flerta com a Religião: ambas falam de muitas coisas incertas e invisíveis como se fossem certas e visíveis, em muitos acontecimentos que não se vive como se fossem acontecimentos cotidianos.

No entanto, enquanto a Religião quer que o Céu e o Inferno se situem o mais distante possível dos olhos e o mais próximo possível de nosso desconhecer, a Literatura torna visíveis os nossos céus e infernos interiores, desmerecendo a necessidade de haver mais gozo ou lamento após a morte.

A Religião se alimenta da Morte, a Literatura se alimenta da Vida.
O Oriente é, apesar de sua riquíssima expressão ontológica, um espaço que grita a realidade em seu sentido ôntico original, como se alguma chama do mistério inicial ainda sobrevivesse intocada.

É isso que percebe o discípulo percussionista quando "toca a montanha" para seu mestre. O percussionista, naquele momento, não é um percussionista, é, antes, a própria montanha se expressando através da música.
Alguns séculos atrás, antes do que chamamos Ocidente ter contato com o "luxo" do Oriente, o luxo não era sinônimo de lixo.
O lirismo da Arte é inútil.
O lirismo é apenas o que consta na superfície, nada é identificável na profundidade.
A Arte fora do lirismo perde o sentido de ser.
Não é necessário (e nem é possível, salvo a partir de muita desonestidade) ao escritor negar a força das palavras. Basta enxergarmos o fato de que, antes da morte ou do suicídio (ou seja, no desaguar da última significação e significância), as pessoas em geral se expressem através das palavras.
Palavras - verdadeiro oxigênio do "ser-no-mundo". Última saída perante o viver.
Palavras - empobrecer d'alma, miséria dispensável.
Não viemos das coisas nem voltaremos a elas, continuamos juntos.
Escrever é afirmar, mesmo que negando.
Sou apenas um parteiro de violência e ignorância, pois ambas são tudo o que trago dentro de mim.
O condomínio fechado me lembra a situação de determinados peixes que, amendrontados pelos predadores, unem-se para dificultar sua captura individual. A diferença é que, no caso de muitos dos que moram nos condomínios luxuosos, são eles os grandes predadores. Assemelham-se a feras feridas, amendrontadas com o poder das presas de pequenas piranhas (que nada mais fazem do que reivindicar seu jantar comido anteriormente pelos mesmos).

O feudalismo está retornando, só mudaram os nomes dos que dominam e dos que são dominados. A violência, por sorte, sempre existirá.
O Deus cristão por muito tempo foi aquilo-que-valida-tudo. O Deus de nosso tempo chama-se Estatística.

Ao contrário do antigo Deus, nosso Deus atual (vejam o paradoxo!) não é causa incausada, mas é tomado como se fosse. Vou elucidar melhor este problema teológico:

Tudo era Nada e do sopro de sabe-se lá surgiu a primeira revelação, nela Deus dizia que:

toda soma de variáveis aleatórias independentes de média finita e variância limitada é aproximadamente Normal, desde que o número de termos da soma seja suficientemente grande

Este Cósmico Segredo, partindo dos confins do Tempo, teve um filho chamado Distribuição de Gauss.

O Homem então, ouvindo o apelo da Distribuição de Gauss, fundou uma religião - seu nome era Ciência.

O Apóstolo Thiago, revoltado com toda aquela mentira de causa-incausada-não-incausada-que-dizia-não-ter-validade-universal-mas-agia-como-se-tivesse, resolveu parar de escrever.

Mandamento sagrado:

Pare de perder seu tempo lendo coisas inúteis e vá fazer sexo.

Referências:

Livro Sagrado, post 240 e alguma coisa, Atonalismo, versículo 3.1415926535(...), apóstolo Thiago Miotto

Título:

(...)

Esfregando a cabeça nas vidraças

Berrava, tresloucado, sem parar.

Roçava nele o sêmen das desgraças,

A dor que não tem cura nem tem par.

(...)

Thiago Miotto, heterônimo de Thiago Miotto

.

.

Uma repentina escuridão abraçou cada centímetro do local. Mesmo com os olhos bem abertos, ele não enxergava sequer um palmo a sua frente. Pelo menos naquele momento, imóvel, não encontrava uma forma de desvencilhar-se daquela escuridão... (é duro quando os olhos demoram para se acostumar com a nova luminosidade)

Um cheiro forte cortava-lhe as narinas e a a água batia com força em seu corpo... (água batendo na bunda é um problema, principalmente quando o cheiro de urina é forte)

Aos poucos uma face parecia surgir a sua frente, era como se seu próprio rosto - agora escuro e com poucos traços visíveis - o observasse... (se ao menos ele tivesse guardado uma vela no armarinho do espelho).

Um cheiro ainda mais forte começou a impregnar o ambiente... O homem, aparentemente só, tatetou ao redor, a fim de encontrar algo que pudesse ajudá-lo a livrar-se daquilo tudo.

Nada encontrou.

Após alguns minutos, já desesperado e suando frio, alguns ruídos começaram a soar muito próximos... Parecia que, em meio àquela escuridão, algo estava sendo amassado e rasgado com força...

Finalmente seus pensamentos encontravam algo que servia de papel higiênico. Na falta dele, foram as páginas daquele poema. Limpou a bunda e foi procurar uma vela.

- Maldita luz que acaba na hora que mais se precisa dela!

Certa vez um antigo teórico da choldraboldra, em um espaço em que impera a mesma, disse: Ao contrário do que dizem, a Morte é o topo da cadeia alimentar.

Hoje, por uma diferença de pequenos instantes, quase que o topo da cadeia alimentar pega o antigo teórico da choldraboldra e o torna farinha de trigo especial Nita, o nome da qualidade.

Da próxima vez, oh, Morte, me diga antes se há ou não pagode post mortem, pois só assim poderei morrer em paz.
Só Jesus e o seu dinheiro salva(m). (pregadores em geral)
Tomando como base a vida na Terra, dado o gigantesco horror que uma mera consciência limitada nos mostra neste mundo (que é ínfimo perante o Universo), como seria possuir uma consciência que pudesse abranger todo o sofrimento que ocorre no cosmos?

Uma pergunta assim, sem necessidade de qualquer argumento ateísta, coloca o Deus onisciente numa posição de tresloucado, sádico, ou, quem sabe, suicida.
Se eu fosse onipotente e onisciente, creio que pediria para não ser nenhum dos dois.
A priori não gosto muito de escrever (...) a posteriori esqueci de ir ao meu próprio casamento, mas isso não significa que goste muito de escrever.

A priori estudei Estética, Lógica, Metafísica... a posteriori resolvi complicá-las um pouco.

A priori estava preso no dogmatismo, mas a posteriori David Hume me despertou do sonho dogmático. Passo todos os dias em uma rua, quase que na hora exata (e só não passo na hora exata por não terem inventado algo que possa carregar no bolso e medir os milésimos).

A vida é assim. Podemos olhar para um jardim e quase descobrir todas as leis que movem o mundo. Acho que Newton está correto.

Devo mudar meu penteado, daqui alguns séculos ele parecerá retrógrado e as pessoas (só por isso, é claro!) acharão que eu, assim como Newton, não comia ninguém.

Às vezes penso que devo parar de escrever e ir copular um pouco com fins reprodutivos, do contrário estarei indo contra meu imperativo categórico.

Não gosto de escrever. Escrever é algo que me enoja, por este motivo sou breve em meus escritos. Escrever muito é coisa de filósofo ocioso que dá aulas para pessoas ligadas à Igreja, ou seja, escrever muito é coisa de filósofo ocioso que dá aulas para formar outros ociosos.

Nem a priori nem a posteriori saí de minha cidade, mas influenciei muitas pessoas e acontecimentos no planeta Terra. Sabia que já escreveram várias teses em relação aos meus escritos? Nenhuma delas, é claro, sequer chegou ao tamanho do primeiro capítulo do maior dos livros que escrevi.

Não gosto muito de escrever pois acho que, tomando o ato de escrever como uma lei universal, tudo entrará em colapso

As pessoas deveriam saber o momento de parerem de escrever. Inclusive preciso me lembrar de abrir um sub-tópico chamado Do Escrever e apontar inúmeros argumentos que parecem irrefutáveis, mas que se mostram fracos quando não temos nada para fazer e ficamos pensando o dia inteiro, escrevendo livros gigantescos e esquecendo nosso próprio casamento.

Bem, como eu ia dizendo, não gosto de escrever muito, mas a priori escrever é um ato, isto é(...)


(autor desconhecido, mas desconfio que Kant seja o autor)
Deveríamos ter nos calado desde o momento em que o velho bigodudo afirmou que toda palavra é um preconceito.

- Ora, mas não foi um preconceito da parte dele proferir tais palavras?

- É verdade. Bem, então pode continuar falando da luta de classes...

- Ah! Te falei que comprei aquele tênis?!

- Não. Ah!, também esqueci de lhe contar que virei vegetariano(...)

(continua)

Versos brancos

a Thiago Miotto
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
Versos brancos
(Thiago Miotto - 21/10/2008 d.C. (?), às 11:55, Ribeirão Preto)
As neurociências no Brasil eram uma piada de péssimo gosto e, ao contrário do que admitem, continuam sendo.
Ao contrário do "pensador" que - buscando a razão - nega a si até desconhecer-se, a dignidade do "louco" consiste exatamente em admitir e afirmar o que sente.

O manicômio está, assim como o mundo que o cerca, repleto de homens que pensam ter hipóteses e teorias com base em inúmeras evidências.

Qual a diferença entre a pessoa considerada sã e a considerada louca? Nada mais que o nível de crença em suas próprias verdades.

Todos vivemos em um mundo de ilusões e dele não sairemos com vida.
A Arte é o possível do impossível... e muito mais.
A luz rompe a escuridão sem se importar com os olhos.
Cansado de olhar ao meu redor, sonho que vivo junto das estrelas...
Quando se é Van Gogh, o que fazer em um mundo em que só se enxerga preto e branco?
Não existe nenhuma teoria ou prática humana que não seja reducionista. Ser humano é ser reducionista. Ser é estar reduzido, pois estar vivo é estar reduzido.
Às vezes passo dias pensando que, além de morrer, não me resta mais nada a fazer neste mundo.
O trabalho nos priva da dignidade do ócio.
No Brasil, o homem inconsciente morre de fome e o consciente de desgosto.

Existe ainda um terceiro tipo: o que rouba e pouco se importa.
O condomínio fechado geralmente carrega junto de si uma informação curiosa: o bandido (rico) teme ser roubado pelo bandido (pobre).
Passei uma navalha na Navalha de Occam.

O que me restou? Tudo o que conseguir imaginar.
Devemos desconfiar de palavras que se iniciam com letras maiúsculas. As palavras se iniciam? Senhor Deus, conceda-me vossa Graça, mesmo que nada na Santa Igreja seja "de graça".

Devemos desconfiar de pessoas que colocam letras maiúsculas em outras partes da palavra. Em geral não sabem o que estão falando. NaUm eh MeSmU MiGuX????

Devemos desconfiar daqueles que desejam que Jesus não esqueça o Salmo 91. Afinal, do que estou falando?

Devemos desconfiar daqueles que pregam a desconfiança e colocam mensagens subliminares em postagens ridículas.

Confie em mim e encontrarás a SalvassauM (sic) (é preciso falar e escrever errado para "falar a língua do povo") na casa do Senhor Jesus. Vai passando a grana, mermão.
No Universo, Via Láctea, Sistema Solar, planeta Terra, América do Sul, Brasil, São Paulo, Ribeirão Preto, Centro, Rua Amador Bueno, dia 17 de Outubro de 2008 d.C. (?), às 09:30, horário de Brasília:

O relativismo é dogmático, o dogma é relativo e pode ser repensado. Mentira, eis tudo que temos.

Obs.: não se iludam pensando que existe Espaço, Tempo e temporalidade. Cuidado com os manuais de Lógica, principalmente se versarem a respeito de Aristóteles. A Geografia é uma imbecilidade criada para justificar ideologias imbecis.
O artista forte, no Século XXI, possui algumas alternativas:

1) Lapidar ruínas.
2) Demolir o que resta das ruínas.
3) Lapidar ruínas demolidas mais de uma vez.
4) Demolir ruínas lapidadas.
5) Constatar que não há nada novo a ser feito e cometer suicídio.
6) Constatar que nada ainda foi feito e que a Arte em suas mais diversas facetas deu somente o primeiro passo.
7) Tornar-se ruínas.
8) Mencionar que odeia coisas numeradas e palavras repetidas.
9) Escrever coisas sem sentido (como todas as outras já escritas, diga-se de passagem).
10) Ser auto-irônico e fazer proposições ridículas e que pouco dizem.
11) Numerar.
2) Errar a ordem (?) dos números propositalmente.
5) Jamais corrigir erros gramaticais e dizer que isso é inovador.
3) Falar mais de uma vez que ainda há alguma inovação a ser proposta.
6) Parar com toda essa bobagem e ir dançar o tchan na esquina mais próxima.
A Arte é o que não é, colocada como aquilo que é.
As músicas surgem através do movimento, mas a Música não é movimento.

Enquanto houver movimento, existirão músicas.

Logo, enquanto existir existir, existirão uma ou mais músicas.

No entanto, o que é a Música?
A Arte é a permanência inserida na mudança e ou a mudança inserida na permanência.
O sexo e as religiões em geral possuem um ponto de concordância: em ambas sempre alguém é fodido.
Prenda um gavião pelas patas e conhecerá o real poder de suas asas.

Uni-versos Platônicos

Tu, que meus olhos banhas de fulgor
Em meio a tuas lágrimas e versos,
Deves desconhecer a minha dor
Tropeçante em teus passos tão incertos...

Por que te pões tão fraca e combalida?,
- Trazendo em ti tal vida e tal beleza -
Por que deixas que beijem-lhe a ferida,
Quando lhe ofertam flores de estranheza?

Se por ti clamo, preso, aqui, distante,
E por mim clamas, presa no teu lar,
Deixas que a algema quebre neste instante
E que possamos ser num só lugar.

Não sei que sou (mais doido ou mais amante)
Por - tão distante assim! - inda lhe amar...
Irmão, você sabe para que Deus lhe deu os braços e as mãos?!

- Não, pastor, me diga...

- Para que você possa trabalhar e, trabalhando, ter dignidade perante o Pai, pagar o dízimo em dia, merecer o Reino dos Céus!

- Pastor, você sabe para que Deus nos deu os olhos, as pernas e os pés?

- Diga-me, irmão!

- Para que, ao avistar uma igreja ou um pastor, se passe bem longe.
Padrões neurológicos, matemáticos e culturais, facilidade de apreensão e movimentos de (dis)solução, eis as chaves em que gravita toda a Estética.
Quem diz que a maioria dos seres humanos não milita em prol de coisa alguma está profundamente cego ou enganado. A maioria avassaladora dos seres humanos em quaisquer épocas militaram a favor de um nome e ideal: em torno de seu nome de batismo, em torno do ideal de sua sobrevivência.
A música é a única capaz de parar o mais brutal dos seres humanos e calar o mais convencido de todos os pensadores.
Boa música é aquela que, ao terminar, não dá chances para que outra tome seu lugar. Após uma música verdadeira, tudo que resta é silêncio e a presença implacável do Infinito.

Ruído Humano - Parte I (ou não)


SHIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

O ruído branco - um tipo de ruído produzido quando se agrega sons de todas as freqüências - pode ser visto além do aspecto físico para exemplificar algumas das grandes forças que auxiliam (ou prejudicam, como quiserem) a(s) Psicologia(s) e a(s) Filosofia(s) da Existência de modo geral.
A saber, constructos (?) como representação, juízo de valor, sensibilidade relativa, dialética; o lidar com "superdotados" e/ou com "retardos" (visando os extremos) e mesmo com o ser humano geral, incluindo aqui a produção artística individual, possui muito a ganhar com a "observação do pouco observado". Mais ou menos o que a filosofia da existência (principalmente em Heidegger) propõe quando fala, mesmo que em outras palavras, sobre a necessidade do olhar ingênuo.
O ruído branco, quando ouvido baixo, tende a acalmar. Alguns dentistas utilizam-se disso na tentativa de acalmar seus pacientes. O mesmo ruído branco (em se tratando das freqüências), quando ouvido alto, tende a imediatamente perturbar a experiência. Experimente ouvir algo que se aproxime do ruído branco - uma televisão sem sinal, por exemplo. Deixe a tv sem volume por alguns instantes e em seguida vá aumentando progressivamente, parando de tempos em tempos para sentir a experiência com o máximo de intensidade. Você perceberá como um mero ruído, se focalizado ou não, pode ser indiferente (no sentido de só servir como pano de fundo da experiência geral) ou uma avalanche de perturbação que parece nos privar de quaisquer outras apreensões e parâmetros.
Talvez este tosco exemplo elucide um pouco dos motivos de sermos tão múltiplos e mutáveis com o tempo, mesmo em se tratando a respeito das mesmas coisas. Federico Chopin disse certa vez que o que outrora me parecia grande, me parece hoje comum, e o que dantes encontrava trivial, me parece hoje incrível, extraordinário, demasiado grande, demasiado elevado.
Citei propositalmente a idéia de superdotação e de retardo, pois, apesar de discordar totalmente das práticas e caracterizações gerais neste meio, o tentar penetrar na experiência única de cada indivíduo e de cada momento deveria ser posto não como necessidade apenas de partes dos que lidam com "Saúde Mental", mas de todos aqueles que dizem ter respeito pelo próximo, que pregam liberdade de expressão (quando, muitas vezes, não passam de preconceituosos com pouca cultura fora de seu âmbito).
Uma pessoa com Síndrome de Willians é capaz de emocionar-se com o ruído branco, tanto para um sentimento de quase contemplação quanto para uma repulsa extrema, beirando a dor física.
Existem várias teorias que tentam explicar mecanismos de defesa da dor física e psíquica, mas nenhuma delas, creio eu, é capaz de explicar o sofrimento de David Nebreda. Ele talvez nem conheça o ruído branco em elevadas alturas, mas, perturbado, urina, defeca (como todos nós, com a diferença que ele tira fotos disso), se mutila e vive isolado há mais de vinte anos, sem televisão, computador ou livros, rejeitando qualquer tentativa de internação ou medicação, além de não ter Síndrome de Willians, mas possuir outra doença de acordo com o CID 10 (o famoso Código Internacional de Doenças).
Muitos fenomenólogos (partindo de Husserl, Sartre, Heidegger, entre outros), dispensam o CID 10, com diversos argumentos - entre eles de que não podemos reduzir a experiência individual a um tipo de denominação universal.
Nunca vi quem descrevesse bem (o que já é relativo) a perturbação (que já é relativa) causada pelo ruído branco em elevadíssimas alturas (o que já é relativo).
Posto isso, sou a favor de nos voltarmos ao olhar ingênuo e à não sistematização e descrição de quaisquer supostas essências ou coisas. No entanto, todo sistema possui uma lacuna (que é inerente e necessária ao conceito de sistema), ou seja, nenhuma sistematização é possível e toda descrição do olhar ingênuo tende a penetrar no campo do que há de mais individual na subjetividade alheia. Portanto, criticar a sistematização e descrição de quaisquer supostas essências ou coisas é contradizer-se.
Concluo que todos somos, a priori (ops! uma mania kantiana não cabe aqui), filósofos da existência.
Neste ponto só nos resta voltar à parte física do ruído branco, posto que não podemos medir, definir ou descrever nossa perturbação perante tal fenômeno. Mas, espere um momento! Como diria Descartes, não podemos saber se tal fenômeno é real. É aí que entra o lado romântico da Física: não se sabe se o fenômeno que se está observando é realmente um fenômeno, nem mesmo o que é um fenômeno.
Sempre percebi que Newton e o Romantismo tinham muita ligação e, pensando agora, finalmente enxergo que tenho uma missão: preciso redefinir os limiares entre Física e Literatura.
Droga!, acho que deixei algo escapar! Eu já defini o que é definir?
Tudo bem, a definição de definir é... SHIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

“Vale o escrito”

Vale o escrito, eis as únicas palavras que constam em uma gravura de José Damasceno.

Eu e outros monitores do MARP (Museu de Arte de Ribeirão Preto), artistas, professores, visitantes e curadores, discutimos a respeito desta obra (?), deslocada esteticamente em meio a tantas outras - uma mera inscrição (o dito "Vale o escrito") por cima de um fundo vazio -, aberta a uma possibilidade de interpretação profundamente enraizada na organização de nosso mundo em geral.

Debatemos a respeito da institucionalização da Arte – expressões afirmadas como sendo arte através de museus, ateliês, livros... -, a respeito do Direito e da organização burocrática e ilusória que dá sustentação a boa parte das relações humanas. Enfim, a respeito do "escrito" que valida absolutamente qualquer coisa.

Antes eu tivesse tomado como previsão o pequeno (e, infelizmente, válido) escrito a respeito do escrito.

Foram aproximadamente quarenta dias de espera até ser informado que provavelmente meu contrato não daria certo. Os motivos? Blá-blá-blá, burocracia, hipocrisia, politicagem e, principalmente, preguiça.

Blá-Blá-Blá por parte da Secretaria da Cultura, da Saúde e da Educação de Ribeirão Preto que, apesar de terem pessoas formadas em Psicologia e, o pior, que se dizem engajadas com a arte e cultura em Ribeirão Preto, não dispõem sequer UM profissional com verdadeira consciência para dar oportunidades aos que querem fazer um trabalho decente no que concerne a questionar e discutir com o público a respeito das impressões e expressões humanas e sua importância no mundo contemporâneo.

Preguiça por parte de um dos coordenadores da Secretaria da Saúde que, a priori (e sem sequer se dar ao luxo de conhecer minha função), negou o pedido do CIEE por telefone e pediu para que suas psicólogas subordinadas também negassem, afirmando que não deveriam se apropriar de demandas de outras Secretarias. (viva a organização, a consciência, a "multi-disciplinaridade" e o engajamento da política atual em Ribeirão Preto!)

Em suma: conformismo, hipocrisia, ignorância e omissão generalizada por parte de supostos profissionais que deveriam prezar pelo bem estar e conscientização de uma população que carece de muita coisa que eles podem (e devem!) dispor.

Tempos atrás eu comentei neste espaço que uma espécie baseada em Direito e Matemática provavelmente não sobreviveria muito tempo. Quanto à Matemática não vou me ater neste post a explicar os motivos, mas posso adiantar que quanto maior o conhecimento da mesma, maior a possibilidade de destruição instantânea e eminente da espécie.

Quanto ao Direito, bem, acho que nem preciso falar nada. Todos os dias nós vemos exemplos e mais exemplos da proliferação da miséria neste espaço. Dessa vez o “agraciado” fui eu, perdendo a oportunidade de exercer algo realmente interessante e importante neste mundo de cegueira generalizada.

A maior violência legalizada é a denominada descaso. A História da Humanidade está aí para confirmar o que digo.

Fechar-se no academicismo ou em cargos públicos e falar de cidadãos que pedem esmolas nas ruas, de gente que morre na fila dos hospitais, de pessoas que ficaram catatônicas ou entraram em depressão profunda por não terem sido atendidas, da educação ridícula que proferem em nossas escolas, da segurança inexistente, da cultura massificada... ah! tudo parece consciente, "cult" e bonitinho. Saem de seus cursos pensando que não são alienadas e que jamais cometeriam erros do tipo, recebem um diploma e não exercem suas funções por nada mais nada menos do que PREGUIÇA. (Ah! como é bom ter um diproma (sic), frecuentar (sic) os meios intelequituais (sic) e ganhar beim (sic))

Talvez você, leitor, possa estar se perguntando o que eu precisava para exercer minha função. Precisava de uma mísera assinatura por parte de alguém formado em Psicologia e que trabalhasse para a prefeitura.

Bem, como sei que pouco posso fazer e considerando que só o que vale é o que está escrito, eu, em verdade, vos digo (e escrevo) que faço serviço completo e meu corpo está avaliado em dez milhões.

Atenção, vou abrir o leilão para que vocês possam me (-) ter em suas camas!

Três...

Dois...

Um...

Valendo!

(...)

(...)

(...)

(4'33'' depois)

Alguém dá mais?! Alguém dá mais?!

Dole uma!

Dole duas!

Dole três!

Vendido para o Sr. John Cage! Perdão, digo, vendido para o Sr. Acaso!
Comunicado do "brógui":

Resolvi colocar marcadores nas postagens, a fim de facilitar a busca de alguns flertles específicos.

Para minha surpresa, este espaço já consta com mais de 200 postagens, então peço desculpas pela possível demora em colocar "tudo em (des)ordem".

Sei que dá para visualizar muitas outras temáticas em torno dos posts, e cada um só comporta 200 caracteres nos marcadores (o que prejudica algumas vezes), então peço que cada um continue fazendo as releituras que bem visualizar.

Gostaria de comunicar também que não pago terapia para ninguém.

Abraço!
Os espermatozóides estão perdidos com os vegetarianos e os bois filósofos! Não desperdice vidas! Mantenha sua produção de esperma a todo vapor!

- De que nos vale o esperma se, com o aumento do aquecimento global, nossas fezes produtoras de metano impossibilitarem a vida bovina e humana?

- Nós, investidores na reprodução humana, não podemos nos deter perante esta falácia! Diga não aos bois filósofos do proletariado!

- Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

Descrição de alguns momentos:

Metempsicose dos restos do Si bemol grave do tenor de Albert Ayler coadunavam exatamente no instante em que as letras iam surgindo da tela do Microsoft Word nada ali me era estranho nem mesmo o nada ali ser estranho mesmo que o estranho seja uma relativização dos estímulos mais claramente apreendidos em nossa história ontogenética raspou o portão para ir para a rua moto distante ruuuuuuuuuum plim barulho de talheres numa vasilha pelo timbre vazia patas batendo com o chão tic tic tic tic semicolcheias inconscientes ruído branco simultâneo a tudo partindo do ventilador calor umidade relativa do ar muito baixa 3 Wind piscando em laranja e sem vitamina C suspiros animalescos de tédio língua de fora respiração ofegante levantar d’orelhas virada para o fogão FINHÃ FÍÍÍÍ

Uma lata quase vazia que seria vista como vazia AUAUAUAUAUAUAUAUAUAUUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAUAU! Au Au Au! A cachorra interrompe a apreensão da lata vazia olho um jornal ao lado Aluga Vende PABX: 4009-9000 tic tic tic tic novamente agora com maior espaço entre as acentuações “rõõõ” novo suspiro de tédio

Agora o suspiro foi meu teclas batendo no teclado teclas batendo no teclado teclas batendo no teclado teclas batendo no teclado teclas batendo no teclado teclas batendo no teclado teclas batendo no teclado copiar + colar metalinguagem infinda do próprio (assassinato do) processo criativo

Link laranja piscando no modem sem vitamina C clica em Tune Up sai andando pardal voa encho água cachorra mexe rabo tu na na na ni pu pã põõõõ espirra fica vendo “orkut...” resvala no armário mãos doem coça o tríceps com força esfrega unha na carne cachorra suspira de novo de tédio condução ao fundo

Garota que o próprio pai está desacreditado e que se pudesse teria criado após sepação de mãe acabou de entrar em um sistema de comunicações que se diz simultâneo levanta óculos junto com arpegio coça cabeça arpegios continuam moça bonita que não vejo há tempos e que considero efusiva acabou de entrar coço entre a cintura e a bunda do lado esquerdo lambo os lábios deixo minha mão direita deitar no colo

Coço a bochecha brevemente lá fora passam carros vejo em19,5 cm Lin 36 mas as “Col” não pára de subir enquanto digito como descrever isso

Parei pelo sistema ter ficado incongruente é impossível ser mais de um
A especialização vai exterminar a espécie humana.
Fui registrar o que julgava ser minha maior obra, mas descobri que um tal de autor desconhecido já era aclamado como sendo o criador do Universo.
A necessidade de dopamina para se fazer algo intenso faz com que a humanidade torne-se a coisa ridícula que é.
Se estou triste? Não. O que sinto está além das palavras.

O bafômetro acusou mais de 0,2

Esôfago sôfrego e seco
Carniçal dos restos de minh’alma
Lâmina arrastando nas entranhas do meu peito
Ond’e’stará meu leito leito leito???

Me arrasto, ébrio, sobre dois abismos,
Sem enxergar fim à frente...
Me arrasto, ébrio, sobre dois abismos,
Sem enxergar fim à frente...
Me arrasto, ébrio, sobre dois abismos,
Sem enxergar fim à frente...

- Desista, amigo, desista... a Paz reside em mim – sussurra o Abismo número 1.3.

- Compre já seu suicídio! Por apenas alguns ossos quebrados, você pode ter paz! – grita o abismo 2.0, financiador-financiado.

- Chega, chega! Não ouvirei vocês, prefiro ir comer churros com meus cachorros! Esperem só eu encontrar o final deste...

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

- Jajaja! Este nunca mais poderá dirigir, e olha que nem perdeu a carteira de motorista!

- Não sabia que você, além de abismo financiador-financiado, veio da Espanha.

Moral da história: abismos não possuem moral, sequer história.
(...)o Sentimento do Mundo
Grita!

Em todas as línguas
Em todas as cores

Em todos os cantos
Recantos
E amores...

Em todas as notas
Em toda gente
Em todas as rotas
Em toda semente...

Nos animais
Nos deuses
Nos castiçais...

Em todas as rosas
Mortas
Em todos os prantos...

Em todas as rosas
Vivas
Em todos os Santos...

Ah! Vida, precisará de quantos ais?!
Quando à Dor, enfim, dirá “jamais!”?!

O Sentimento do Mundo...
Grita!,

Qual em mim...
Sempre
E sempre
Sempre
Sem fim...

No ventre
No peito
No leito
E no luto...

O Sentimento do Mundo não descansa

Grita!
Grita!
Grita!
Grita!

O Sentimento do Mundo não se cansa
E grita
- por toda parte -
O (próprio) Sentimento do Mundo(...)
Que é do cantor sem sua voz?
Os ouvidos do mundo já não bastam para compreender a língua que falo, sequer suportar meu grito derradeiro.

Na minha religião, a Igreja Universal da Arte para Todos, há uma única máxima a ser seguida:

Fora da criação não há salvação.


...e muitas vezes nem mesmo nela. (mensagem subliminar contida no Livro Sagrado)

Na “Nova Música”, o primeiro passo para se separar música de não-música consiste no seguinte:

Na música podemos abdicar de nosso sentido da visão e da memória de imagens sem comprometermos a intenção do compositor, isto é, sem que esta possa exercer uma função social e psicológica delimitada. Música seria, antes de tudo, pertencente ao campo da Arte (inútil ao social), não da cultura (útil ao social).

Se privamos uma não-música do sentido da visão e da memória de imagens, ela deixa de possuir função social, isto é, deixa de possuir qualquer valor enquanto cultura.

Dificilmente uma não-música poderá ocupar o posto de Arte, salvo se for re-significada em algum tempo posterior.

A informação (da Física), por ser pura possibilidade auto-atualizada, não conhece Tempo nem Espaço.

Agora, o que faz com que a informação exista? Bem, desconfio que exista uma informação que possa responder a questão no momento, mas como não se pode reunir tudo o que a forma (pois ela cria outras, que criam outras, que criam outras... a todo instante), acho que é melhor eu ir tomar um café e esquecer tudo isso.
(Uni)(Verso)
(...)
A Luz é sempre Luz, esteja’onde’steja
É Onda - É Partícula
Matéria e Etérea

Em si própria brilha
E no’infindo trilho
Empresta seu brilho
Milha por milha...

(...)

Sem Luz, vos digo, não há

Calor
Perfume
Nem Cor

Nem Som
Nem Tato
E nem Dor

Visto que
Sem seu pulso
Nada pode pulsar

Sem Luz, vos digo, não há

(...)

Disse-me a Beleza
- Sua filha mais velha -
Que’spelha-se n'Ela
Para brilhar...

Disse-me a Vida
- a ingênua garota –
Que, como Ela, brota
Para criar...

(...)

Da Luz perguntei ao Universo
E Ele me disse:
“Sou filho da Luz”.

Corri para ter com a Luz
E Ela me disse:
“Sou filha de um Verso”.

O que, enfim, no Verso pude ler?
Acreditando ou não no que lhe digo,
Prefiro deixar você buscar
A resposta nas Portas do Infinito
Se, é claro, pudé-las alcançar,
Se o Verso puder, por fim, trazer.
(...)
(Uni)(Verso)
Deixo abaixo um de meus antigos poemas simbolistas (se é que devemos classificar qualquer coisa que seja), fruto de um êxtase indescritível que tomou conta de mim anos atrás, sem motivo aparente. Quando a sensação terminou, preferi não dar continuidade, e assim ele ficou sem final - como tudo que é Infinito -.
(...)
O nome é uma homenagem à gigantesca sensação vinda aparentemente do que eu preferi chamar "canção luminosa" que tomava conta de todo o meu ser naqueles curtos instantes (que pareceram uma eternidade).
(...)
Peço desculpas por sair um pouco da proposta do blog - que é escrever tudo de momento, sem muito pensar, aqui, na frente da tosca tela de um computador - e aproveito para finalmente mostrar este poema (?) ao meu irmão-de-alma, Henrique Tonin.
(...)
(...)
(...)
Canção da Luz

Belíssimas estrelas sacrossantas...
Antigas, imortais e gigantescas!
Puríssimas canções de velhas Santas,
Das purezas de todas as purezas!

Seres maravilhosos, luzes próprias,
Mártires universais, forças eternas,
Anjos das imortais, Supremas Glórias,
Das mais grandiosas luzes internas!...

Gigantescos clarões, Luzes Divinas,
Imensidades das Imensidades!...
Mantras, meditações, sons de ocarinas,
Canções de radiantes claridades!

Misteriosas... Pulsantes colorações!
Violetas, dedirróseas, azuladas,
Nascem a emergir das vibrações,
Do calor das esferas estreladas!

Tudo, num só compasso resplandesce!
Se une, em um só Ponto a Brilhar!
E toda esta Luz cresce, e cresce!...
Vai Todo Universo Iluminar!(...)
Nunca vi pessoa no motel que fosse preocupada com o meio ambiente.

Quando estou tendo orgasmos múltiplos - sim, homens também podem gozar várias vezes em seguida, apesar do fenômeno ser um pouco mais raro -, sempre me pergunto: por que, quando fazemos sexo/love/amor/ensaio-para-se-ter-filhotes-ou-não, esquecemos do "politicamente correto", do desperdício de água e energia elétrica e (pasme!) do destino da humanidade?

Acho que vou escrever um poeminha tosco naquelas portas que muitas pessoas-felizes rabiscam:

Cidadão que é cidadão
deve ser cidadão
mesmo com tesão.


Já vi gente parar de comer carne por causa do aquecimento global, mas nunca vi ninguém parar de fazer sexo.

Ora, ora... cansei, minha revolta contra os não-ambientalistas-de-motel já não possui limites, não vou mais falar a respeito. Em resumo, em suma, sem mais delongas: respeite o tesão das futuras gerações, faça sexo no frio.

Sem mais para o momento,

Thiago Miotto

*Thiago Miotto é ambientalista pela Universidade Federal das Repúblicas da Hermenêutica do Vaso Florido, anti-ambientalista pela Universidade Federal do Blá-Blá-Blá, anti-anti-ambientalista pela Universidade Federal do criador do Bozo (que, diga-se de passagem, morreu no dia 03/07/2008), anti-anti-anti... e assim por diante.

Colagem (mal feita) de Tônicas 1:

A enchente do Rio Amarelo de 1931 Eu tô feliz é considerada o desastre Eu tô alto astral natural mais mortal da história Estima-se Tô sorrindo à toa que o número de pessoas mortas Curtindo numa boa esteja entre um milhão e quatro milhões de vítimas As mortes causadas pela enchente incluem afogamentos Vou liberar geral doenças fome e seca E tira o pé do chão Entre julho e novembro Oleleô cerca de 88.000 quilômetros quadrados E bata com a a mão ficaram completamente Oleleá inundados enquanto outros 21.000 Eu quero alegria quilômetros quadrados ficaram parcialmente Quero toda a energia inundados Devido aos freqüentes desastres Quero ver você cantar que causa o rio é freqüentemente chamado de “A Dor da China”.

Autores: Natureza, Xuxa.

Breve Auto-Biografia da Vida Universal


No início, era o corpo.

E o tempo

- O Relativo Implacável -

Tratou de me mostrar

A mim.


Eu,

- Ilusão do estável -

Por fim me tornei

Minha própria Mãe,

Caos.


- Morto -

A Verdade se revelou.

Sua face?

Todas.

Nenhuma.

Contagem para o fim da espécie:

(coloque tua estimativa aqui)

Cobras

Me cobram

Me cobram saúde

Me cobram estudo

Me cobram trabalho

Me cobram posição

Me cobram caralho

Me cobram vestir

Me cobram comer

Me cobram sorrir

Me cobram conclusões de outrem

Me cobram, inclusive, as minhas também...

E, todos os dias... todos os dias!, me cobrem de tanto cobrar

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Me cobram, me cobram

Cobram, Cobram,

Cobras!


Mais de 24 vezes em menos de 24 horas!

Me cobram até

(covardia!)

Que eu mesmo cobre de Outrem...


Cobram-me - por fim - Vida!


Oh!, homens tolos!,

Como podem Vida cobrar,

Se nem possuem vida pra dar?!


Que sabem vocês das próprias vontades,

Do pulsar das próprias veias,

Das Estrelas?!...


Ai de ti de tanto cobrar!,

Ah!, decerto que deve pensar

Que um dia irá me matar

De tantas dívidas para pagar...


Tenho pena de ti, pois bem sei

Que de tanto tentar ser Rei,

Certo deve pensar

Que um dia poderá beber

De algo que não seja só ter,

De algo que não seja penar...


(...)


Quanto
a mim

Só me resta

O sonhar

O viver


Só me resta cantar!

Mesmo a sofrer...

Só me resta lutar!

Mesmo a morrer...

Desatando o nó!

Mesmo que Só...


(...)

(...) Hiato Atonal - Atonal Hiato (...)


E se o Cosmos for auto-similar? E se?(...)

Felizmente ainda há uma criação que quase todo ser vivo traz como potencial e realiza em vida: dar vida a novas vidas.

Visões da Vida - 1


Róseo Sol de antiga viagem!

Róseo Reflexo de antiga imagem!


Que

De antiga

Só existe em mim...


Oh, Astro, brilha!, oh, Terra, arde!,


Sê somente o que são

Sol e Mar

Fontes da Vida!

Sê também no horizonte

O mesmo momento mágico:

Finito engolindo Infinito

- Céus e Terra fazendo amor! -


Sê ainda aos olhos calados,

Sempre dois-unos sóis,

...Abraçados...

Fatigados de Luz e Calor!


(...)O (In)finito Atonal(...)

Algum tempo atrás tive um insight de uma magnitude tão avassaladora que me deixou inapto para o viver cotidiano por dias.

O que compreendi/senti foi mais ou menos como se pudesse resumir todas as coisas a um único ponto, como se pudesse ter uma visão geral de um universo holístico (em que todas as coisas estão interligadas), e dele pudesse galgar e/ou criar qualquer outro gênero de entendimento/significado; tudo a partir de qualquer coisa, em qualquer hora e lugar.

Todo ser vivo é feito de limitações apreensivas, mas tende ao infinitesimal no sentido de como organiza essas apreensões (um cérebro humano “na média” possui mais conexões que todas as estrelas visíveis até o momento por toda a tecnologia humana, este número corresponde a um absurdo que não caberia aqui).

Como afirmei tempos atrás: Significados, desde que existe vida, não possuem limites. Significantes, desde que existe movimento, também não.

Um universo mutável a todo instante e com constante expansão e perda de energia gera um número de possibilidades sempre maiores, mas como nenhum ser vivo pode apreendê-lo em sua forma bruta (e possivelmente infinita pensando no “infinitamente pequeno”, num mergulho infinito na “essência da matéria”), temos que nos contentar com nossas limitações de apreensão.

Para dar um exemplo de flerte de limitação tendendo ao ilimitado: um ser humano percebe sons nas freqüências entre 20 Hz e 20.000 Hz; um morcego percebe sons entre 1000 Hz e 120.000 Hz. Ambos são limitados, mas o morcego percebe freqüências altíssimas em comparação ao humano, percebe possibilidades do real já existentes que nós não podemos apreender. O "mundo sonoro bruto" do morcego é muito mais rico que o nosso; no entanto, o homem, com suas construções e significados, pôde produzir um mundo vastíssimo de possibilidades sonoras – isso para nem citar a música – e modos de interpretar e lidar com elas.

Tempos atrás, quando afirmei que havia encontrado uma espécie de fórmula para tornar qualquer possibilidade impressiva em qualquer possibilidade expressiva, provavelmente poderia soar como algo completamente ilusório; mas, neste meio tempo, enquanto lapidava minhas idéias para formar uma abordagem para infinitas abordagens, acabei me deparando com homens dos quais pude visualizar mais ou menos isso em suas obras, porém de uma forma mais branda e resumida.

Para citar um exemplo recentemente descoberto, indico que procurem saber sobre Toru Takemitsu, um compositor japonês que, através de suas impressões visuais (e, óbvio, dos significados que ele atribuía às mesmas), compunha trilhas de uma sensibilidade inefável. Ele dizia que penetrava na natureza visual e conseguia dela “extrair” as músicas, sem conseguir dizer como fazia isso. O mesmo afirmou que sua inspiração era a Natureza e os jardins japoneses, que tinham por idéia a arquitetura circular, a não-linearidade, a não finitude.

Alguns dias atrás explicitei um pouco de minhas idéias atuais a respeito de “música” e “realidade” ao Henrique Tonin e falei de algumas idéias sobre o “número pi” à Clarrissa Yemisi. Começo a pensar que talvez aja um potencial infindo que permeia todas as coisas. Penso que podemos modificar as coisas como elas estão (a parte atualizada que se mostra no momento, fruto do potencial infindo), mas não podemos acessar a fonte das mesmas por completo (que é infinita a priori, ou seja, não passível de racionalização a partir de um ser/sistema limitado).

Para que isso se torne mais didático, vou dar um exemplo de “potencial infindo” visualizável através da matemática:

O número PI representa o valor da razão entre a circunferência de qualquer círculo e seu diâmetro. É a mais antiga constante matemática que se conhece. Até o que se sabe, é um número irracional, com infinitas casas decimais e não periódico.
São conhecidas
51539600000 casas decimais de Pi, calculadas por Y. Kamada e D. Takahashi, da Universidade de Tokio em 1997. Em 21/8/1998 foi calculada pelo projeto Pihex a 5000000000000a. casa binária de Pi.

Só para vocês terem uma idéia, o pi não segue uma lógica apreensível de ordem seqüencial, e ao que tudo indica é “um número que contém quaisquer combinações de números”. Assim, teu rg, teu cpf, meu rg, meu cpf, a data de seu nascimento, a distância que estou de você, do Sol, da estrela mais longínqua do universo, o tamanho do Via Láctea em kilômetros, centímetros, milímetros... tudo, absolutamente tudo está contido nele!

Abaixo o número pi com suas primeiras 1000 casas decimais:

3.14159265358979323846264338327950288419716939
9375105820974944592307816406286089986280348253
4211706798214808651328230664709384460955058223
1725359408128481117450284102701938521105559644
6229489549303819644288109756659334461284756482
3378678316527120190914564856692346034861045432
6648213393607260249141273724587006606315588174
8815209209628292540917153643678925903600113305
3054882046652138414695194151160943305727036575
9591953092186117381932611793105118548074462379
9627495673518857527248912279381830119491298336
7336244065664308602139494639522473719070217986
0943702770539217176293176752384674818467669405
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Agora que um exemplo mais “palpável” (?) foi dado, quero deixar claro que o que proponho - se é que vou me fazer entender – é que ao apreendermos algo poderemos inferir quaisquer significados e dos mesmos gerar novas expressões que, conseqüentemente, gerarão novas impressões (no(s) criador(es) e nas outras consciências). O que teríamos seria um ciclo infinito de proposições que poderiam ser visualizadas de maneira lógica (através de denominações, sistemas, etc), ou só poderiam ser captadas de modo impressivo, porém dificilmente “entendidas” (como ocorre em algumas “super-estruturas” de músicas como as de Iannis Xenakis).

De uma cor, para dar um tosco exemplo, poderíamos visualizar uma nota musical; de seu traçado poderíamos inferir uma intensidade, uma altura, uma duração ou uma "variação" (aproximações de “freqüências afinadas/desafinadas”), de uma imagem poderíamos visualizar uma música riquíssima! Só o que precisaríamos seria atribuir significado a determinados elementos que apreendemos e deles extrairmos proposições expressivas de quaisquer ordens (desde que já sejam passíveis de existência).

É claro que este é um papo para, digamos, infinitas existências, mas estou estudando modos de reunir tudo o que já pensei, visualizei e senti para demonstrar várias proposições que antes soariam completamente irreconciliáveis, além das que vão se abrir a partir delas. Penso que todos os níveis de senso humano (“Arte”, “Filosofia”, “Ciência”, “Religião”, “Senso-Comum” e tudo o mais que existir interconectado ou fora disso) possam ser expandidos com esse tipo de abordagem da realidade, mas não sei até que ponto essas idéias poderão ser aceitas em curto, médio, ou até mesmo longo prazo, se é que serão.

Enfim, quem sabe não poste em breve algo que criei a partir dessa abordagem e tente explicitar as relações?

Estou aberto a possíveis dúvidas,

Forte abraço!

Choques entre Atonalismo e Minimalismo

Creio no momento que a experiência traumática (aquela que nos leva ao risco de morte do que há de mais essencial em nós), quando superada, nos dá uma visão muito mais ampla das coisas.

Alguns exemplos de sentidos únicos que perturbam a experiência geral podem ser visualizados nas obras de Iannis Xenakis, Otomo Yoshihide, Peter Brötzmann, Joel-Peter Witkin, homens com impressões e expressões tão insignes que em geral tornam-se a priori aversivos a quase tudo, mostrando como todos os seres vivos são completamente desiguais e únicos em seu mais íntimo.

A denúncia de como somos manipulados por supostas verdades (lógicas, estéticas, morais, de apreensão, etc) torna-se visível em obras artísticas do gênero, e é realmente uma pena que homens assim são tomados por patológicos (conceito já deveras obscuro e preconceituoso, a meu ver).

É curioso pensar que são poucas realmente as pessoas que são o que são. O famoso clichê do curto fio que separa a genialidade da loucura parece ser tomado como imperativo e quase todos abandonam ou não conseguem exercer seu verdadeiro potencial devido às imposições e aversões externas. O que quero dizer com isso é que todos podem ser geniais e saudáveis em um ou mais pontos e contribuir para a evolução verdadeira - a evolução dos sentidos em quaisquer facetas (social, ontológica, impressiva, expressiva, direcional, entre outros...).

Sei que a motivação possui muitos aspectos, entre eles o do sentido de integração com o próximo (coisa que é dificultada com a individualização cognitiva e tomada como ponto básico numa vida “saudável” em nossa época), mas me dói saber que quase todos os que realmente ousam plantar e colher o que a vida pode oferecer sejam isolados do mundo, assassinados, e até esquecidos.

A modernidade nos dá informação constante, mas raramente nos dá formação. É simples visualizar isso na miopia de certas pessoas que, sendo capazes de produzir obras muito maiores, contentam-se em ler/escutar/citar fulanos que sequer experenciaram a vida com uma parte ínfima do que ela pode nos dar.

Assim, tornamos-nos uma espécie que divulga exponencialmente uma ridícula involução natural dos sentidos. Pegamos a sobra dos sentidos alheios e os digerimos, e parece que caminhamos para que a próxima geração pegue nossas sobras, até que não reste sequer uma migalha de impressão com "tempero ontológico individual".

Hoje não há somente um endeusamento do fugaz e imbecil, mas também um endeusamento do “pseudo-não-fugaz”, como as modinhas “cult” que se observam por aí.

Como exemplo paga-se uma fortuna para visualizar artistas que sequer sabem reproduzir o que eles próprios fizeram anteriormente (quando sua obra não é fruto de manipulação virtual, como as vozes de cantores que são modificadas em muito em estúdios de gravação), enquanto desbravadores dos limites da percepção carecem do que há de mais básico para a sobrevivência.

O “popular”, ao invés de ter conotação ruim - posto que todos os seres vivos deveriam buscar a sua auto-realização através do exterior -, torna-se regra para a existência. A homogeneidade é tomada como ponto de partida para uma existência verdadeira. A não-reflexão, o não-contestar, a não-criação, tudo o que há de mais doentio é preenchido por um pano de fundo que o mascara com uma ideologia e justificação barata.

No mundo atual, infelizmente, proteger os direitos de uma pessoa que desrespeita e ludibria centenas de outras é tomado por dever universal, enquanto dar ouvidos aos que ousam andar sem máscaras é tomado por loucura. Ateus (como vários pastores e padres por aí) tornam-se “a voz de Deus”, possuem grande poder para modificar a realidade social vigente e são venerados; gênios como Perelman (o matemático), que poderiam mudar completamente as formas como o ser humano encara as coisas, quase morrem no anonimato e sem elementos básicos na vida.

Fernando Pessoa diria que toda aproximação é um conflito, o que é facilmente visualizado na natureza em geral. Mas nós, supostos seres racionais, queremos nos privar do conflito saudável e, com isso, esquecemos o diálogo, o experimentar, o conhecer, o se colocar no lugar do próximo... O que geralmente não levamos em conta é que quem não explode, implode, o que acaba por gerar conflitos verdadeiramente preocupantes (como as duas grandes guerras) e todos os frutos que a desigualdade e a alienação tem gerado nos mais variados campos (cultura, educação, segurança, entre outros)

Martin Buber diria que nós estamos dando pouco espaço para as relações em sua completude. Tomamos o próximo como eu-isso, somos forçados a ver o mundo como isso, quando deveríamos ver os seres e mundo como eu-tu. Carl Rogers e Fritz Perls desejariam que sonhássemos com o futuro, mas sempre estando presentes e lutando por ele no agora.

A idéia de ação e reação, existente sempre ou não, é imprescindível na tomada de nossas decisões. A elucubração quando não gera frutos práticos é completamente inútil. O pensar estar isento de responsabilidades é a pior das infantilidades. O mundo está aí, quer você queira ou não.

Como disse para uma querida amiga hoje e já parafraseando Sartre: se temos dois caminhos para escolher e optamos por não escolher nenhum deles, ainda assim já teremos escolhido.

Para finalizar com uma metáfora criada agora:

Quando trazemos uma rasa poça d'água dentro de si, qualquer débil movimento é capaz de nos mover por completo a uma nova forma. Quando nos fazemos recipientes largos e não temerosos da tempestade, a tendência que assoma é nos tornarmos maiores e, com o tempo, nos tornamos mais poderosos que a mesma em potencial. Não tenha medo de tornar-se uma tempestade e usar teu poder para vencer o que já está posto. A tempestade morre depois de cair, mas sobrevive fecundando os campos por onde passou, e um dia volta aos céus em novas possibilidades.

Não tema a vida, tema não viver.

Pássaros Sem Asas - Asas do Tédio

Tédio:

Expressão d’A Verdade

De ser e não-ser;

Hora

Sem sentido;


Estado

Catatônico; minimal;

Lacuna entre

Ser

E

Estar;


Mover

De certa coisa alguma;

Segundos que

Soam

Eternidades;


Pesadelo

De pássaros sem asas,

Porém, cheios

De

Sonhos

e Versos.

A liberdade se dá na possibilidade de re-objetivação da escolha do ato frente a um sistema pré-estabelecido que pode ser re-significado. Sendo assim, somos e não somos livres.

Um homem que esteja dirigindo, por exemplo, possui leis de trânsito para seguir. O mesmo pode escolher ultrapassar o sinal vermelho, mas estará correndo perigo de morte em alguns casos.

Sua liberdade (possibilidade de escolha de atos ou objetivos) é limitada às respostas do que ocorre ao seu redor, mas que ele também pode se opor a tais leis ou ao ambiente (dependendo também do modo como interpretar tais estímulos no momento - possibilidade de re-significação -).

Todos os seres vivos são responsáveis por boa porcentagem do que ocorre em suas vidas, mas estão sujeitos a ataques da realidade, principalmente por parte de outros seres vivos (aos quais não temos acesso ilimitado ao seu arbítrio e significados vigentes).

A consciência de possibilidades de ação e significação nos torna menos submetidos às influências externas e nos dá as ferramentas necessárias à auto-atualização. É necessário conhecer nosso corpo e seus potenciais para poder conhecer melhor a Natureza, pois ambos não fazem sentido um sem o outro, somente assim penetramos e gozamos no objetivo infindo da natureza do ser - a mudança.

Determinismo e indeterminismo são duas das maiores mentiras já inventadas.
É possível sentir a interconexão de todas as coisas, é possível sentir como o Cosmos e nós somos uma só coisa.

Matemática e Música caminham juntas desde sempre. A possibilidade pura teórica (Matemática) e a possibilidade pura prática (Música) - os dois opostos (constructos?) mais poderosos do Cosmos -, não se aniquilam ao se chocarem, se expandem.

Significados, desde que existe vida, não possuem limites. Significantes, desde que existe movimento, também não.
Toda opinião carrega em si a violência, eis o único motivo dos sábios não escreverem e dos verdadeiros críticos - os críticos de tudo, inclusive de si - viverem condenados ao exílio ou ao aniquilamento.

Alguém que realmente quisesse viver e apreender a riqueza do ser, apenas tentaria colocar todo organismo como centro.

Tudo o que importa, no final das contas, é gozo e deleite. Toda opinião pura é passageira, toda ação que não nos leve a tomar o passageiro como eterno (o ato sexual visando o gozo, a composição poética e/ou musical que vise a transcendência dos sentimentos humanos, por exemplo), deveria ser vista com repúdio e abolida de nosso cotidiano.

Todo sistema (teórico ou prático) é uma relação anti-natural. Glória aos bêbados, aos pervertidos, aos loucos, eis os dotados de alguma razão!

Entre (os) Sentidos (A)tonais


A música, como muitos já sabem (in)conscientemente, é a supra-linguagem universal, pois pode reunir qualquer gênero de linguagens ao mesmo tempo. Uma só música pode derivar de um número absolutamente gigantesco (perante a capacidade humana atual) de impressões e estímulos da qual derivou, gerando uma expressão única que vai afetar a impressão dos que ouvem, participam da execução e/ou composição, de forma completamente diversa.

Na música é possível usar nossos seis sentidos: tato, paladar (nos metais), olfato (que, para alguém que se atente ou busque interconexões de impressões aflorando em expressões, afeta principalmente a composição e, por vezes, a execução), visão (visualizando sistemas (de partitura, por exemplo) ou buscando estímulos externos (procurando por inspiração em coisas da Natureza, etc), audição e equilíbrio (que é facilmente visto em guitarristas de elevada técnica que utilizam-se do corpo da guitarra na região do umbigo - ponto de equilíbrio no corpo humano - ou em sopristas que, para alcançar determinadas notas, utilizam-se de bruscos movimentos).

Além disso, na Música pode ser utilizada (como vou demonstrar mais para frente mais claramente, caso não morra antes) qualquer gênero de abstrações no processo de composição e execução, até abstrações nunca visualizadas antes pelo gênero humano. Para dar exemplos já batidos: podemos utilizar de convenções (como as que permeiam a música ocidental em geral: um número limitado de notas, os modos, as resoluções, as escalas, etc), línguas (cantar em português, latim, etc) até uma gravação completamente aleatória (como gravar os sons e períodos de silêncio (?) ao nosso redor, por exemplo).

Podem dizer que o silêncio não nos remete a nada; mas, como já havia afirmado anteriormente, o silêncio é/nos abre à possibilidade pura e, como alguns poucos homens sabem lidar, é diretivo na subjetividade alheia. Por exemplo, numa conversação pessoal, se eu estou conversando e de repente fico completamente mudo, a outra pessoa poderá pensar e sentir mil coisas a respeito, mas sem nunca sair de sua escolha de expressão (resposta comportamental, mesmo que seja só o pensar). Podemos também pegar o exemplo de monges de algumas linhas que, ao ficarem em silêncio, querem entrar em total contato consigo. Sendo assim, até ficar totalmente em silêncio nos gera escolhas e sensações. John Cage (que na época foi vaiado e hoje é tido como gênio pela composição) soube entender como ninguém a relação de silêncio e diretividade de impressões derivando em expressões (que seriam a própria música, sempre diversa) quando compôs a idéia de 4'33'' (leia-se 4 minutos e 33).

Cada força (som, intervalo e silêncio) nos remete a uma miríade de sensações. Como alguns estudiosos sabem, cada nota é formada por inúmeras notas que o ouvido humano não consegue captar, mas que a tecnologia atual nos permitiu decodificar em alguns pontos (que, creio, não terem alcançado o limite de descontrução, posto que não existem limites).

Só para fazer um adendo, tentando ser mais didático: a cor branca é a união de todas as cores, mas algumas cores o olho humano não é capaz de captar, apenas visualizar de modo deturpado com o auxílio de certos instrumentos ou sentir o efeito das mesmas (como o câncer de pele).

Para a música, o silêncio seria o negro (ausência de cores) e o branco seria o que chamam de "ruído branco" no Noise. O problema é que o ruído branco soa uma super-sobreposição de estímulos (que quebra a idéia de ritmo, harmonia e melodia apreensíveis) apenas para nossos ouvidos. Talvez um ser que tivesse uma capacidade fisiológica maior e uma conexão de linguagens muito mais elevada que qualquer ser humano atual, não julgasse o ruído branco como o julgamos - ventilador, chiado da tv, do rádio, super-sobreposição de notas e acordes, barulho de uma cachoeira, entre outros - como existente e atribuísse um significado (cognitivo e/ou ontológico) para tal.

É possível definir o que é Música? Talvez se partirmos, como fariam alguns “pensadores” (?), da questão "o que NÃO é música?", poderíamos encontrar uma resposta. Vocês podem até tentar afirmar algo que não seja considerado; por exemplo, "a visão de um azulejo não é música"; mas eu encontrei uma fórmula, digamos assim, que vai remeter qualquer estímulo apreensível para qualquer outro formato de expressão; tudo isso passando por várias fases cognitivas (apreensão, decodificação de esquemas, elaboração de novos esquemas, adaptação e, finalmente, expressão).

Em suma, podemos não saber o que é Música, mas, para tentar flertar com uma resolução do que escrevi aqui, a Música é um espaço de hiper-infinitos (impressivos e expressivos, conscientes ou não) gerando hiper-infinitos (de sensações e esquemas já apreendidos) diferentes em cada ser, que, conseqüentemente, caso ele componha ou divulgue obras alheias, podem gerar mais hiper-infinitos (em outros seres).

Abaixo vai um vídeo da composição (ou falta dela) de 4'33'', que é uma música que, a priori, não contém sequer uma nota, mas pode se abrir a quaisquer sons; a idéia da composição é a música ser o que acontece ao redor.

Pronto! quem disse que você nunca fez uma música? Agora pode falar para quem quiser que é compositor de música aleatória ou, como o próprio Cage chamava, "música de acaso". Logo que clicar no vídeo já estará fazendo uma; abraço!





Obs. 1: perceberam que no final do post surgiu ao acaso uma rima com aço? Ops! Agora foi proposital... =P

Obs. 2: chega desse papo nerd. Alguém aí quer dar um amasso?

Interlúdio Atonal

Tudo é uma coisa só, nada é uma coisa só. Depende apenas de estarmos vivos ou mortos, depende apenas de nossas limitações. É possível flertar com níveis de (in)consciência e sensibilidade nunca alcançados anteriormente; para isso não é necessário muito labor, mas estar aberto às possibilidades do vir-a-ser externo e interno, sem querer agarrar-se às denominações, ao confortável e à quimera do estático.

Desconhecemos o que pensam do que pensamos, desconhecemos o que pensam do que escrevemos, desconhecemos-nos a todo instante.

Não sei o que fui ou serei, apenas sou. E o que sou? Não me importa. Se isso me fizesse falta eu não estaria (vi)vendo, apenas estaria pensando.

Se, como diriam os materialistas, só somos algo a partir de nossos sentidos (fisiológicos), então podemos ser aquilo que suportamos, pensamos, sentimos e imaginamos.

Somos estrelas, somos os outros, somos o ser e o não-ser, somos impressão, somos expressão, somos Tudo e Nada. Mas somos, acima de tudo, a coisa bruta que se esconde atrás desses nomes que nada verdadeiramente nos dizem.

A realidade só poderia ser apreendida se um ser pudesse parar todo o Cosmos e, ainda assim, ser adstrito às leis (daquele instante) do movimento e dotado de uma "consciência total e totalmente" das possibilidades do real. Tal ser seria incapaz de comunicar-se numa linguagem inteligível, pois toda linguagem é limítrofe. E, mesmo supondo o contrário, que algo pudesse expressar toda a "Verdade"; a mesma se esfacelaria no instante seguinte, onde as inúmeras combinações destruiriam qualquer pretensão de conhecimento fixo, e tudo voltaria a ser incognoscível e inapreensível por qualquer sistema lógico.

Só a expressão e a impressão devem guiar a vida; qualquer gênero de razão é um mero sistema, é uma mera delimitação feita por causa de nossas limitações, é uma mera ilusão.

...Repouso Atonal...

Pode parecer sarro, mas creio ter alcançado (e até agora não encontrei formas de me contestar, por mais que eu tente) duas "coisas":

A primeira vai modificar o modo do homem pensar a si e o Universo. A segunda vai ser um modo de abordagem da realidade que vai nos abrir para infinitos modos de abordagem; é uma espécie de "meta-criação".

Não vou me extender por aqui, mas espero que o pessoal que visita compreenda minha ausência.

Este blog sempre foi, conforme diria o Henrique Tonin em outras palavras, uma "luta de forças". Tentei, desde o início, dar um rosto atonal para ele, que é/era (?) projeto de um gênero de escrita (quase) automática que flertava com impressões e expressões pouco usuais, coisas que sinto de momento, aqui e agora.

Já tive insight's na frente desse computador muitas vezes (como tenho na vida cotidiana, nos momentos mais estranhos e sem aparente ligação com o que surge) e isso ficou refletido em muitos post's lá atrás em que eu quase flertava com uma nova linguagem, uma espécie de "ponte entre linguagens", mas que não chegava, a meu ver, a criar uma nova linguagem.

Com o tempo senti uma espécie de abandono da escrita totalmente automática que deu lugar a uma espécie de "desaguar de pensamentos" (contraditórios e "em luta" (ou seja, "atonais"), confesso, mas que não flertavam mais tanto com uma fusão de linguagens, mas com percepções da (suposta?) realidade.

No entanto, de uns dias pra cá, vários acontecimentos (alguns deveras exóticos e curiosos), pensamentos e sentimentos vem me ocorrendo.

Resumindo tudo: ontem tive uma espécie de "deflagração última" de tudo o que já vivi, pensei e senti em vida. Uma espécie de "epifania" (para usar palavras do Tonin) ou insight de uma magnitude avassaladora, da qual até o momento não consegui me desvencilhar completamente (e nem quero). Finalmente pareço ter encontrado um caminho que abrirá as portas para um literal Infinito de impressões e expressões que tanto busquei, parece-me que "novas águas" desaguam em mim e não quero perder a oportunidade de mergulhar de cabeça.

Não estranhem minha ausência, será por bons motivos. Pretendo possivelmente escrever um livro a respeito, mas sei que essa "abertura de sensibilidades e possibilidades" caminhará para o resto de meus dias comigo; então não sei quando sairá algo realmente "pronto" de minhas mãos.

Obrigado a todos que aqui comentam, que deixam suas impressões, expressões, (des)crenças, sentimentos, sensações e tudo o mais. Vocês também fazem parte - tanto quanto eu - desse pequeno espaço.

Comentem à vontade, terei prazer em elucidar o que for possível,

Forte abraço a todos!
O último dos miseráveis em geral é o artista da mais profunda genialidade, - é o que não compreende nem a si, nem sua própria obra, nem qualquer coisa que se passa ao redor de sua (intragável) existência.
Escrever pertence somente aos covardes, àqueles que não possuem coragem nem para guardar os próprios sentimentos, nem para viver uma vida sem ilusões.

Em suma, imprimimos algo no papel quando não suportamos nem o que existe dentro e nem o que existe fora de nós. O ponto onde ficou impressa a escrita é uma realidade nova, como uma ponte entre o ser e o não-ser.
Quando somente agimos, não pensamos.
Quando somente pensamos, não agimos.
Ser poeta é estar entre os dois extremos,
Sem agir e sem pensar como de costume.
A matéria em seu eterno vir-a-ser possui um único pesadelo, - a vida.

O estado catatônico é o estado de todas as coisas não-vivas, é a paz no desequilíbrio, na pura possibilidade, no movimento incessante. A paz reside no que denominamos Caos; a Ordem - delimitação de estabilidade -, por não suportar o poder do movimento, tende ao fracasso como manutenção de si e tráz angústia ao seu regente maior.

Toda frustração surge de uma limitação, de uma falta de amor à mudança.

É preciso estar além de si para fazer a vida valer a pena, para tomar o momentâneo como eterno; é preciso trocar o ser pelo vir-a-ser, é preciso fazer o vir-a-ser tornar-se vir-a-criar.
O ato sexual e da criação artística coadunam em alguns momentos: ambos partem de nosso egoísmo e tocam o próximo de uma forma que desconhecemos.

A Arte e o sexo só une as pessoas, ao contrário do que pensam em geral, em poucos momentos. O gozo simultâneo ou o total mergulho numa apreensão por parte de artista e observador são os únicos momentos em que deixamos a multiplicidade egóica de lado e alcançamos uma unificação de sensibilidade e realidade que independe de pré-conceitos. Neste ponto nós somos uma só coisa - como aquilo que não possui consciência de si -, somos-o-não-ser.
Somente no momento do gozo deixamos de lado nossa multiplicidade.
A arte em seu formato mais bruto, por submeter qualquer teoria, é a prática mais elevada do ser humano.
A música instrumental soa como um xeque-mate à realidade.

Segundo Movimento Atonal

Tudo é contra e a favor da vida. Falar em ou só pertence aos seres iludidos; o Universo faz todas as coisas nascerem e morrerem.

Pergunte a Ele qual sua opinião a respeito da vida, da morte, do passado, do presente, do futuro e de si próprio... O silêncio de onde tudo deriva deveria ser a prova maior de nossa infinita incompreensão.

Crenças e descrenças, conceitos e preconceitos, racional e irracional... tentar denominar e delimitar é a maior prova de nossa imbecilidade.

A cegueira de si é inerente à realidade, e é só por ela que a realidade existe; salvo tal condição, tudo destruiria a si próprio.

Quanto maior a rede de conexões em um espaço limítrofe, maior o desequilíbrio a que ele tende; no entanto, o mesmo - que só existe em nossas ilusões de delimitação - tenderá a uma maior gama de possibilidades de realizações que, por conseqüência, tenderá a crescer ainda mais. Ou seja, a possibilidade é elevada exponencialmente desde que algo existe.

A possibilidade só aparece enquanto existe algo impossível; e este algo, para o que existe por si, não pode existir.

Entropia e sintropia não são opostas, são completamentares.

Só a criação e a contemplação nos eleva, sem nos iludir, a algo que está além de nós, limitados.
Só uma música desprovida de palavras pode ser colocada como fazendo parte da mais sublime forma de expressão e criação do Cosmos.

As palavras, apesar de toda profundidade que podem carregar, jamais se aproximam tanto do desconhecido, do bruto e abstrato, do que basta a si, da criação do possível.

A música - desprovida da pequenez da intencionalidade humana - é a única além do bem e do mal em toda extensão do Cosmos, é a única que toca e submete todos os seres na mesma medida.

Todas os gêneros de expressão ruirão com o tempo, mas a Música ecoará para sempre na infinitude do Cosmos.
Movo-me como o Universo: sem nunca estar satisfeito com meus limites, mesmo que eu seja o próprio limite.

Dois motivos da angústia humana:

Quase nunca nos privamos daquilo que pode ser evitado, quando deveríamos nos privar de quase tudo. Em contrapartida, quase sempre tentamos nos privar do inevitável - da morte.
As estrelas nunca morrem
Seu brilho sobrevive
Sempre abraçando mais e mais eternidade
Sempre beijando estrelas inda vivas
Como que as ensinando a brilhar
Sem temer o fim da chama(...)

O Tempo

O Tempo rouba a força e roga a praga,
Desfaz o feito, torna a luta vã,
O Tempo não se mede pela saga
Nem pela despedida da manhã.

O Sol já nasce e morre... brota a chaga;
Se vai a luz com o verde do hortelã,
E nasce a Lua, a mãe de toda mágoa,
Que torna - para o louco - a vida sã.

Há tempo para tudo e para todos,
E só o que não tem tempo é o próprio Tempo,
Não pode descansar, sequer morrer.

Destrói a Roma, a Grécia, os visigodos,
Levanta e mata sem nenhum intento,
Tecendo a luz do ser e do não-ser!
Quanto mais alto brilha a chama, mais rápido é o apagar. Muitos gênios morreram precocemente? Não, só se foram por arderem rápido demais, por sua dignidade, por romperem bruscamente com a realidade e esta não mais comportá-los, como que com medo de uma superação por parte de algo incompleto em si - o ser vivo.
Toda linguagem foi inventada na busca do ato tentando expressar uma intenção essencial e inerente ao ato. Posto isto, muito do que julgam “anti-arte” nada mais é do que a tentativa de retorno da intenção para o ato puro.
O Cosmos sem música, se pudesse, cometeria suicídio.
Uma única música pode em nós produzir (des)crença maior que toda a filosofia humana já escrita.
Sentir algo avassalador e tentar voltar a ser o que se era é como abraçar a morte e voltar a viver.
O verdadeiro artista é aquele que definha (e até morre) por sua arte. Toda profundidade nos perturba de modo irremediável.
Não existe "pós-modernidade", só temos tal ilusão por causa da velocidade da divulgação. Em todas as épocas foi revisto, mesclado e transformado o que foi produzido anteriormente; tudo sempre coexistiu; é bobagem pensarmos que agora somos mais "livres para criar" e que possuímos menos preconceitos, quando pouquíssimos, em verdade, possuem verdadeira coragem para romper com o alheio.

Um pouco de história, estória e (a)estética:

A estética (juízo de valor inerente a uma apreensão?) é algo que sempre direcionou as criações e comportamentos humanos. Muito se diz sobre o belo, o feio, o disforme... mas, de fato, como falar sobre isso de um modo mais “digno”?

Faz sentido nos prendermos a aparência? Faz sentido não nos prendermos a aparências? Existe algo belo ou feio em essência?

Vou remontar algo não-linear da história da arte, mais precisamente da música e da pintura:

A “música ocidental” de modo geral por muito tempo foi calcada em convenções. A primeira (o modalismo) foi derivada dos gregos, a segunda (o tonalismo, até hoje a mais utilizada) foi se desenvolvendo ao longo do tempo.

São apenas 12 as notas que compõem o tonalismo e praticamente toda a música ocidental: Dó, Dó Sustenido, Ré, Ré Sustenido, Mi, Fá, Fá Sustenido, Sol, Sol Sustenido, Lá, Lá Sustenido e Si.

Eis que agrupamos tais notas em seqüências de tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom; por exemplo, na escala de Dó, o famoso “Dó – Ré – Mi – Fá – Sol – Lá – Si”.

Pois bem, falando de modo super-resumido, a música ocidental prendeu-se até praticamente o século XX nessas fórmulas limítrofes de composição. Isso envolveu crenças, convenções, imposições da Igreja Católica, entre outros.

Eis que, mais precisamente na Europa da segunda metade do século XX, os compositores começaram a querer quebrarem aqueles moldes. Começaram então a buscar métodos de composição alicerçados no Atonalismo (não existia mais uma “nota base” (vulgo tônica) para qual todas as outras estavam submetidas, todos os intervalos eram iguais, nada de tons e semitons, apenas tons), no Dodecafonismo (a colocação das 12 notas, sem a repetição na seqüência (vulgo cromatismo) já mencionada anteriormente, o que dava uma atmosfera “flutuante” para a música), entre outros.

Pois bem, eles então foram se abrindo para os sons em geral, para os “microtons” (os sons que se encontravam entre os tons e semitons e que não eram explorados há séculos). Para a surpresa de muitos compositores desavisados, no Oriente, citando como exemplo a Índia, ao invés de utilizarem-se de apenas 12 notas (possibilidades dentro da música, salvo com a variação da “qualidade” do som (vulgo timbre)), os indianos utlizavam-se de centenas de notas e variações de como agrupá-las.

Ou seja, o que era estético para a música ocidental (e ainda é na “música popular” em geral) era completamente ultrapassado por séculos de música indiana.

Quem está “certo” aí? Nós - exponencialmente mais limitados - ou eles? Nós, julgando que tínhamos uma música "madura", não passávamos de bebês engatinhando.

Enfim, chega de música e vamos para a pintura, tentarei resumir mais.
Na “pintura clássica” havia uma preocupação muito grande com o “contorno dos corpos” (que, na natureza, não existe), com o retrato mais fidedigno possível do que nós apreendíamos no cotidiano. Tudo era um jogo muito simplório de luz e sombra, de cores já exploradas e visualizadas.

No “advento do Impressionismo” (para utilizar-me de uma expressão didática), pintores e pesquisadores dos sentidos humanos em geral começaram a observar que cada apreensão tinha inúmeras peculiaridades. Por exemplo, uma mesma catedral poderia ser pintada de vários modos - em várias épocas do ano, com luz e cores diversas (devido a um tempo nublado ou ensolarado).

Os impressionistas começaram a explorar essas apreensões, quebrando a idéia do suposto “contorno bruto” das coisas e deixando de lado apenas o jogo de cores bem delineado.

Vieram então os “pós-impressionistas”, os mesmos começaram a quebrar com as cores visualizadas de modo fisiológico e com a pincelada (o que já ocorria um pouco no impressionismo), explorando modos diversos de pintura. Por exemplo, Cézanne, ao invés de usar a cor laranja, criava toda uma obra com pequenos “pontinhos” de cor amarela e vermelha, assim, ambos próximos, observados de longe, formariam a ilusão da cor ser laranja. Essa “vertente” também abriu o campo da liberdade artística em expressar os objetos em quaisquer cores. Assim vemos quadros de pessoas com rosto verde (o que ocorre no cotidiano, dependendo da luz que incidir no momento), coisa que nunca ocorreria anteriormente.

Voltando ao papo central da estética e citando um exemplo, Van Gogh produziu em torno de 700 quadros, todos carregados de uma pincelada insigne, de uma textura considerada grosseira, de uma coloração que chocava o senso estético geral da época. Van Gogh, não sendo compreendido pelo público geral de sua época, influenciou Picasso e outros grandes pintores que, posteriormente, criariam o cubismo (a “nova revolução”). Hoje o pintor é considerado um gênio e suas obras possuem um valor inestimável para as pessoas da área.

Finalizando, a música e a pintura hoje chegaram a uma verdadeira suruba (para utilizar-me de uma palavra apropriada para o momento).

Na música existem de "sons para meditação" (por vezes com uma única nota sendo repetida) até o "Noise puro", em que podem ser explorados quaisquer elementos de microtons, timbres e tempos penetrando-se, sem que possa ser captado por uma lógica, digamos, linear.

Diria que meu senso estético é um eterno mutante; penso que abertura a possibilidades cada dia mais diversas e ricas me tornou um ser que não possui mais juízos de valor em determinados assuntos, por este motivo me privo de discussões inúteis com "intelectuais". A arte, a filosofia e a ciência criam justificativas para o que não necessita ser justificado, criam convenções teóricas estúpidas que quase sempre não possuem ligação com o que há de impetuoso e essencial na obra dos autores.

Todo juízo de valor é estúpido e temporal, inclusive este que agora vos dirijo; só a sensibilidade de quem apreende é “além do bem e do mal” no campo da (a)estética. O signo e a métrica pouco importam para aqueles que aprofundam-se, que deixam-se tomar pelo universo e pelo momento, que tornam-se honestos com sua infinita ignorância, que tornam-se alheios aos apelos dos homens, que produzem sua própria arte bem longe do burburinho.

Em suma, o que é (a)estético é o que o "eu", em seu infinito movimento e limitação, pensa ser. Não existem motivos para discussões artísticas quando ninguém consegue sequer classificar o que é arte ou deixa de ser.
Uma luz branca (todas as cores reunidas) pode cegar como a imersão na total escuridão; um incontável número de ruídos pode nos parecer tão vazio quanto o silêncio absoluto; o cárcere perpétuo pode ser tão perturbador quanto a plena liberdade (a causalidade, inconsciente de si, produzindo todas as coisas).

Só a imersão na totalidade da presença ou da ausência pode aflorar em nós o que há de mais essencial do ser-vivo para o ser-em-si, o que nos priva do que denominamos como "humanidade", o que nos aproxima (ou nos mescla) ao que denominamos Deus, em suma, só a total imersão pode nos fazer aflorar do Todo para o Nada, ou do Nada para o Todo.

Primeiro soneto do ano:

.
.
Aos sem esperança
.
.
Na vasta vida vã a voz vazia
Tornou-lhe carne, pulso, artéria aorta...
Ah!, nem mais o Infinito lhe conforta,
Nem mais foges das trevas que fugia!

Não mais trazes um sonho em primazia,
Da luz lembras do dia em que era morta.
Se a desventura bate em tua porta,
Convida-a para ser a tua guia.

Cavas enfim a tua própria fenda;
Na vista do prazer aperta os passos
E abraça o teu amor, a dor tremenda...

A Dor, irmã que nunca nega o pão,
Em vista da agonia, dos espasmos,
A única que não lhe disse “não!”.
É fácil visualizar se estamos chegando no último degrau do tédio; neste momento, geralmente, passamos a escrever sobre ele.
Um pensamento pode ser expresso em palavras. Um sentimento, - jamais.
Todas as poesias são medíocres, só há importância no sentimento do autor e no que sente o leitor; as palavras são apenas instrumentos que deflagram o inevitável.
Os sentimentos que tenho são de uma magnitude tão avassaladora que muitas vezes esqueço de minha existência e penso ser o próprio Todo.

(...)Sem Início, sem Meio, sem Fim(...)

(...)O pi possui quaisquer combinações de números (possibilidades) em si. Uma esfera pode ser cortada por uma miríade de círculos - são infinitos que se entrecortam, uns cortando os outros, todos relacionados.

Se este universo for uma esfera, pode ser que exista algo em seu centro que pulsa, gerando uma espécie de freqüência que choca-se com outras freqüências lançadas anteriormente, tornando a expansão do universo acelerada. Caso esta freqüência seja pequena demais (por exemplo, as partículas virtuais), é possível que tenhamos só agora dado conta dela, o que explicaria a aparente incongruência de um universo que perde energia útil expandir-se de modo acelerado e não conseguirmos enxergar o que está movendo tudo isso. Além disso, as partículas (por desaparecerem e retornarem), podem ser derivações de outros universos com fina conexão. Se pudéssemos viajar para muito longe do planeta Terra, talvez pudéssemos verificar uma diferença do número de partículas virtuais, o que (nos moldes da ciência atual), constituiria uma forte evidência de tais partículas (em larga escala e formando uma "onda") poderem promover tamanha força.

Se pudéssemos ter infinitos se entrecortando, haveria uma sobreposição de realidades, gerando uma energia gigantesca que derivaria dali e criando um verdadeiro colapso de espaço-tempo, com tudo se (des)atualizando no sentido macro e micro, o que explicaria a eterna incompletude dos projetos do "conhecimento". Talvez possamos aproveitar a energia de outros universos por derivação de uma espécie de força atrativa gerada pela massa (gravidade) e/ou por pulsos energéticos derivados do suposto "centro". A energia não acabaria, pois o centro seria sempre reabastecido pela energia de todos os universos que derivaria de "buracos negros" e coisas similares que possam existir, criando uma espécie de "motor imóvel" (vulgo Deus), que seria eterno e bastaria para si, reabastecendo os universos em movimento e que "perdem" (entropia) energia para o centro.

Tudo isso geraria a formação de algo sempre novo que é capaz de gerar algo novo, que relaciona-se com os anteriores e torna a produção algo exponencial e indecifrável. Quem sabe essa não é a famosa teleologia da matéria?

No entanto, para que tudo isso possa acontecer, o Cosmos teria que ser uma esfera fechada (mesmo que pudesse esticar-se e contrair-se). O que nos daria uma nova indagação: o que há "fora" dele? O Nada?

Quem sabe o Cosmos não quer saber o que ele é em meio a esse Nada? Quem sabe por isso não criou a vida e o retorno dela à Natureza, produzindo assim uma impressão implícita de memória universal?

Quem soube? Quem sabe? Quem saberá?(...)
Quando você lança uma pedra num lago, as ondas se propagam de tal modo que o lago todo se move. Nossa limitação não nos permite enxergar que, por causa do movimento da pedra, todo o Cosmos se move.

Quando vários pulsos se reúnem, o aparente “ritmo” torna-se “freqüência”, sem que perca a essência. Se pudéssemos ouvir o som que se deriva do movimento incessante do Cosmos, de modo paradoxal, observarvaríamos que tudo soa como uma única nota uníssona desde sempre, não como uma música que muda e possui diferentes elementos em sua composição. Eis o que, cego de si, move todas as coisas.
A essência de tudo, apesar de estar neste instante frente aos meus olhos, penetrando meus ouvidos, forçando minha pele, imersa no sabor e no perfume que agora sinto, dando vida a minha própria vida, - é completamente inacessível e desconhecida. Talvez ela própria não se conheça e, na busca de saber o que ou quem é; numa tentativa última de existência, quem sabe, se suicidou, dando início ao que chamamos movimento.
Procuramos a vida toda algo que encontraremos sem esforço algum após a morte.


A Verdade existe, e a Natureza foi encerrá-la num único Abismo de Luz, no olhar. Nele, todas as coisas, mesmo as mais obscuras, transparecem, como se fossem através das águas mais claras e límpidas.

No entanto, mesmo ele, para a visão, o ponto extremo da expressão do Todo, muda todo instante, sem, no entanto, abandonar sua essência. O olhar é a mais perfeita combinação do antagonismo que rege o Cosmos, da Essência (expressão em si mesma) e do Movimento (necessidade de nova(s) Essência(s)).

Deus, para renascer, se suicida há todo instante.

A maior beleza que podemos enxergar é a própria beleza de enxergar.
Um olhar é uma música visível somente num instante, somente a outro olhar.
A música cria ou recria qualquer estado com uma profundidade implacável quando comparada a qualquer droga ou ciência inventada neste mundo.

Trechos de uma conversa minha por msn com Henrique Tonin:

*

Acho que restou algo da infância em nós, não uma chama de ingenuidade, mas uma ânsia de viver - sem saber o que é a Vida em si...

*

A Arte é a expressão do que chamo de Possibilidade Pura.

A Possibilidade Pura é essência, o humano - não sabendo expressar tal sentimento de êxtase - externou tudo na Arte.

*

A razão supostamente intermedia algo, a fé supostamente intermedia algo, a Arte pode colocar-se como fim, como uma espécie de Deus de Infinitas facetas.

"Minha religião" é uma espécie de contemplação de todas as coisas... das mais ínfimas (grãos de areia e detalhes que fogem aos que estão com pressa) as mais grandiosas (estrelas, música, vento, etc...). Diria que minha religião é o movimento e a tentativa de enxergar uma essência nele.

*

Obs.: sem uso de lisérgicos, ao menos de minha parte.

Algumas palavras sobre as palavras:

Palavras, que verdadeiramente nos dizem? Quando escrevo sobre macarrão, você não capta o que eu realmente quis dizer, nem eu mesmo consigo expressar. Você não sabe o sabor, mesmo que tenha uma memória a respeito de um macarrão qualquer, você não sabe que sensações tenho em relação ao mesmo.


Se digo que amo, que é amor? Dir-me-ão que existem vários tipos de amores e intensidades. Amor de mãe, amor de apaixonado, amor-amor... O amor que sinto por minha mãe não é o mesmo que você sente, o amor que sinto por minha namorada não é o mesmo que sente pela sua; diga-se de passagem, a intensidade e os “tipos de amor” que sinto por minha namorada - sempre mudam.


É interessante a quantidade de pré-conceitos que temos perante o que desconhecemos ou o que nos desagrada. Simplesmente, na ânsia de potência, procuramos palavras - incompletudes do sentimento – para justificar nossa ignorância ou nossa suposta superioridade.


Se digo que MPB não possui ligação alguma com intelectualidade; se digo que escreveria grande parte das letras de MPB no banheiro, imediatamente milhões de pessoas vão dizer que sou louco, arrogante, que não sei do que falo, que não tenho sensibilidade...


Que resta das palavras daqueles que não possuem sensibilidade sequer comparável a minha? Resta a distância, não uma distância vertical, mas horizontal. Ambos somos Deuses e vermes, cada um dentro de sua cegueira.

Amanhã, por sorte, voltarei com minha sensibilidade alterada, terei novas apreensões, não serei o que sou agora; talvez olhe para trás e diga que tudo foi tolice de minha parte, talvez pareça ainda mais arrogante aos olhos dos outros; continuarei, de qualquer forma, sendo um eterno míope perante tudo, como você.

É curioso ver como o ser humano, ao querer algo, presta-se exatamente ao oposto. Toda instituição, com o passar dos anos, torna-se exatamente o oposto do que mostra-se aos olhos do ignorante. A religião deveria libertar o ser para um sentido maior, impõe o mais limítrofe e alienado dos sentidos: a existência de uma Verdade Absoluta, imóvel e imutável; a escola deveria ensinar o ser a pensar e criar, - dá fórmulas prontas de um suposto conhecimento, sem qualquer relação direta com o cotidiano do estudante; os exércitos buscam a manutenção da ordem, só geram desordem por onde passam...

Este fracasso generalizado encontra-se por toda parte: a Filosofia (em algumas de suas facetas) buscou completude, nos trouxe incompletude; o artista de vanguarda - na ânsia de produzir algo realmente profundo -, externa superficialidade bruta; o homem que deseja - na busca de uma vida melhor - direitos iguais entre os seres vivos, nega a própria essência motora da vida, nega o querer-para-si...

Há algo que, a meu ver, assombra o cotidiano do ser humano: quanto mais busca sentido em qualquer âmbito, mais o perde; quanto menos busca sentido, mais pensa encontrá-lo (ou o encontra?) em qualquer coisa.

A criança, por não ter ouvido falar na Vida, vive.

O adulto, por querer viver, não vive.

O profundo, por buscar sentido na Vida, desconhece até o que é viver.

O sábio, por não mais buscar sentidos, desconhece a própria sabedoria.

Pouco se fala na violência simbólica, apesar de ela ser uma das coisas mais presentes na vida humana. Tal violência é visível em artistas que vão além de seu tempo.

Em geral o visionário da Arte não é um "visionário"; o "visinário" não passa de alguém que cansou de fórmulas e, por não conseguir encontrar Arte em lugar algum (mesmo que ela esteja por toda parte), encontra-se numa posição que, ou abandona o produzir (o que, para ele, não é possível), ou destrói tudo o que já foi feito. Tal destruição parte de fora: não se visualiza algo novo e profundo; esmaga o interior: tudo o que existia antes de "humano" é avassalado pelo tédio, pela indignação e pela melancolia; e retorna de modo enceguecido e colérico para o mundo externo.

Não existe invenção genial, existe Caos derivado do Amor que não se pode prender.
"Louco" é o que assume, vive e necessita de multiplicidade, nada mais.
A privação nos leva à inovação; ser artista de vanguarda nada mais é do que inovar sem necessidade aparente. Ter alma vanguardista é ter uma necessidade fisiológica de inovação, como se necessita comer e beber para prosseguir sobrevivendo.

O verdadeiro gênio conhece e reconhece o tamanho de sua ignorância; por este motivo, e somente por ele, tenta vencê-la todos os dias.
A rotina, apesar de ser a maior inimiga da imaginação, é a força essencial para a maior parte dos inventos considerados geniais.
Em geral, por utilizarmos o lado esquerdo do cérebro com mais facilidade, forjamos uma realidade completamente focada em causalidade e unidades (e este é um raciocínio imbuído de tal idéia).

O mais curioso é que, ao utilizarmos o mesmo, não notamos detalhes nem interconexões que deveriam ser visíveis durante todo o tempo.

A lógica e a gramática são as maiores inimigas daquele que quer ser Sábio, ou seja, daquele que quer estar distante de idéias e próximo da Vida-em-si.

Produzimos balas para as armas erradas. Só somos algo dentro de nossas limitações, ou seja, dentro de nossa cegueira.

Nada mais importa, salvo fazer por fazer.
Sentir poucos estímulos é algo absolutamente difícil para mim; me acostumei com uma super-sobreposição de estímulos que me tornou cego para o que denominam realidade.

Ninguém enxerga, ninguém ouve, ninguém toca, ninguém cheira, ninguém degusta...

Cinco sentidos? Quisera ter somente um que fosse aberto ao Infinito.
Muitos pintores, por serem míopes desde a infância, utilizavam borrões em suas obras. Outras pessoas, observando tais obras, pensaram que tais borrões eram uma espécie de inovação dentro da técnica e da estética na pintura; sendo assim, inventaram denominações de vertentes para que não se passassem por ignorantes.

É curioso como o hábito e a estética mais visível são derivadas de coisas completamente acidentais, justificadas de um modo que não pareça irônico e banal.

Ciclo Ridículo da Dialética/Isto é Arte(...)

==> Isto é Arte - ONÃ! ==> etrA é otsI - NÃO! ==> Isto é Arte - OÃN! ==> etrA é otsI - NÃO! ==> Isto é Arte - NOÃ! ==> etrA é otsI - NÃO! ==> Isto é Arte - ONÃ! ==> etrA é otsI - NÃO! ==> Isto é Arte - OÃN! ==> etrA é otsI - NÃO! ==> Isto é Arte - NOÃ! ==> etrA é otsI - NÃO! ==> Isto é Arte - ONÃ! ==> etrA é otsI - NÃO!
(ad infinitum)

Foram utilizados: possível autômato bioquímico, software, hardware, bits, algoritmos, eletricidade e mediadores diversos.

Técnica empregada: esmagamentos pré-ordenados sobre tecnologia.

Agradecimentos do autor: agradeço a uma suposta causa incausada ou ao que é em si desde sempre, sem ele(a) este projeto não poderia ter sido realizado.

Primeiro Movimento Atonal

gosto fortíssimo de cinza-chumbo
algo que nunca tínhamos visto antes, ossos
É o que éramos instantes antes de pensarmos
com maquiagem?
A tentativa da visão retornar
para vocês
transborda na forma de lágrimas
Buscar saber o que é Saber
é o coringa dos ingênuos
um ato que visa vencer a inconstância que o movimento trouxe ao ser
soprar o monitor
De todas as formas
Penetrei o Vazio e Ele me penetrou
E corre e corre e corre e corre!, pois - trampando muito mais que a artéria aorta –
Alguns cachorros latem lá fora
"o pão nosso de cada dia"
Por este motivo é muito difícil para o ignorante reconhecer seu estado e para o sábio possuir humildade
aos olhos de uma pessoa o(s) mundo(s) que criei e que estou inserido
é movido por números, logo o mundo é movido por ralos de pi'as
.... .. ...... .. ...... ... ............ ..?....... ... ...... .. ... ......!...
Em vão o ser levanta a débil fronte
reunindo isto à expansão infinda
esqueçam tudo isto
do princípio do egocentrismo
da Segunda Lei da Termodinâmica
vivas tu
em vão do “Ano Novo”
Quando eu
com o viver
POR THIAGO MIOTTO
Deuses e mitos...
Estão mortos!
Como se quisesse possuir um pouco mais
De tudo!, menos de si!, por toda Eternidade!...
de algumas pré-suposições que, em geral, são tomadas como certas
trarei as conseqüências do indeterminismo
Para as portas prostitutas putrescíveis
E a criança
é possibilidade pura
do ser humano salvo um não-ser há todo instante
eis a fórmula da Sabedoria que reside no Caos
Quando se está fadado à finitude
Os verdadeiros sábios não escrevem por dois motivos
Ser triste ou feliz não faz sentido
"como você é?"
(fisicamente e em entendimento)
não passa de um míope que pensa estar munido de um telescópio
Onde um ponto ou uma vírgula mudam o destino de vidas
jamais eleva seu pensamento
de um novo sonho (ou, por vezes, dogma)
feito pela medida que o sujeito-ação convenciona temporalidade
Toda Arte é tola
é o ideal da destruição total das idéias
é a dor da escolha
nos transborda de razão
de estar senão um instante entre dois não-estar
Pronto. - O resultado? - Conhecimento algum existe.
sem curvas
nem elogios são capazes de nos abalar
quase numa mistura homogênea
Viver é uma tentativa incessante
Em
um pé passante
só existe para o próximo ou no noticiário
A um palmo do ar
Sem fim
A luz é bela
como trocamos de roupas
no amanhã é uma promessa anti-morte
está acima de tudo e, paradoxalmente, mergulhada em tudo
para viver
A única diferença é a força
Se alguém deixasse de se ver como centro de todas as coisas
a ocorrer
Terminava
No nono andar do subsolo
até que subiu e desceu e desceu e subiu
su(bterraneamente)plantada
sem sonoridade alguma
Atonalismo.
liberdade com uma interrogacao entre Parenteses aqui
vamos conversar virgula proponha um tema ponto final
ou eu mesmo estou pleno de estar?
como quis acordar
Não sei
ser lavado
caindo a cadência incandescente
Porque não existem motivos para perguntas
em nossa própria ausência
se pensa que a Música é derivada do Cosmos
do não-avesso
Há também o de crer
que existe
algum erro
Enquanto alguns pecam por manterem-se vivos
são mentiras auto-refutáveis e verdades indubitáveis por um instante
quando algo observou movimento
Bobagem pouca é
uma tentativa de afastamento (e, por vezes, quebra)
E mais!
Um dos quesitos mais básicos que os deuses devem possuir para que se creia nos mesmos é o poder de criar
dois tipos de pessoas: as burras que desconhecem sua burrice e as burras que reconhecem sua burrice
por míseros instantes
Sabendo que o ser racional só encontra o absurdo da razão ser uma mentira
Só há pseudo-questões e pseudo-respostas
Com certeza? Talvez.
Disritmia ex-colorir sinais indústria cheiro-do-chiado-de-rádio...
sagrado pós-contemporâneo
como
/
se
/
marcasse
/a edadilasuac mes e aigoloelet ada rbe uq
opondo a oposição da crítica que criticava a crítica
Pare entropia, pare!
É triste
Como não se pode definir o real, salvo de uma concepção solipsista ou de uma credulidade sentimental extrema e assumida
não-ser comportando a possibilidade do ser momentâneo
freiras, padres, pastores, ou qualquer outro ser hipócrita que dá
em sua intimidade
como por milagre
um ponto em comum
do egoísmo perfeito
às 13:54
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1 10
Há um gênero novo de sinestesia assomando, o gênero do sabor com cores.

Dias atrás fui retirar um fio de cabelo com uma pinça e, involuntariamente, comecei a ranger os dentes com muita força e senti um gosto fortíssimo de cinza-chumbo que demorou a passar.

tenho dito ah no dia seguido dos escritos sobre minha possível morte meu carro derrapou uns 10 metros dois dias depois um pneu furou sem causa aparente agora escrevo sem causa aparente estou no Paraíso tenho dito

ahniniT

15 anos de convivência

irmão de fone
ela respirando
miado diferente
pensou que era no vizinho
outro miado
pensou novamente
ela não respirava mais

nunca mais a veremos... nem dormindo, nem respirando,

só poderemos ver algo que nunca tínhamos visto antes, ossos

terei de enterrá-la 5 dias depois?

quisera eu dar de comer

adeus
Às vezes pensamos que algo nos escapa,
Mas a única coisa que nos escapa
É o que éramos instantes antes de pensarmos
Que algo nos escapa.
É difícil levar certas mulheres a sério quando dizem odiar falsidades, mentiras, ilusões e superficialidade. Por que gastariam horas do seu dia na frente de um espelho para produzirem-se com maquiagem?

Eu denominaria este vídeo de A tentativa da visão retornar do infinitamente pequeno ao infinitamente grande.

John Zorn, a meu ver, é um dos mais geniais músicos da atualidade (limitando, infelizmente, a Música até o ponto que a (des)conheço). O agregado sonoro (para não chamar de música) é dele com a participação de outro loucos (vulgo gênios), a animação - "saberá José".

http://www.youtube.com/watch?v=BikTKdmPans


Um pouco de Arte para vocês.

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2035116-EI301,00.html
O amor, muitas vezes por não mais caber num peito humano, transborda na forma de algo divino, transborda na forma de lágrimas.
Não saber o que é não saber
Só não é sabido
Pelos que nunca souberam
Buscar saber o que é Saber.
A Filosofia é o coringa dos ingênuos.
Calcular é um ato que visa vencer a inconstância que o movimento trouxe ao ser.

Favor soprar o monitor.



Obs.: as imagens postadas até o momento neste blog não são de minha autoria.
Para que exista mérito ou culpa é necessário que a causalidade não permeie todas as coisas. Não enxergar tal possibilidade é prender-se a vaidades, erguer bandeiras, defender causas, ou seja, não viver como se é, mas como se desejaria que fosse.

Breve auto-biografia:

Falhei em tudo o que me propus.
E só não falhei em todos os âmbitos,
De todas as formas
E há todo instante,
Porque não me propus a falhar.
Estou quieto como quem viu a Verdade, e se calou.

Estou rijo e relaxado,
como quem anda só numa noite escura,
com chuviscar e ventos leves, gelados...

Penetrei o Vazio e Ele me penetrou.

Nada mais sei, nem quero,
Estou somente como estou.

Sátira da correria sem sentido do mundo contemporâneo, das convenções estapafúrdias e ligeira auto-sátira do versejar e rimar dos "poetas" com pressa.

Ribeirão Preto, dia 22
De Outubro de 2007. Dias,
Localidades, horas vãs e guias
Que em vão nos vão levar ao que é depois.

E corre e corre e corre e corre!, pois
Não há mais tempo nem pra ter azias;
Esqueça agora mesmo o que querias!
(Como se houvessem horas para o arroz).

E corre e corre e corre e corre tanto

Que esquece a Paz, a Vida com teu Canto

De calmaria e gozo, o que conforta.

Pra que tentar lutar e ser um Santo

- trampando muito mais que a artéria aorta -

Se a Morte sempre bate a nossa porta?

A cama está desarrumada. Por que a arrumaria?

O homem vive de modo tão sem sentido que quase sempre
nasce numa cama,
se repruduz numa cama
e morre numa cama...

Cama! Que é uma cama perante o todo?

Projeto um modo de me livrar de tal dependência; mas tudo isto, já bem sei, ficará só em projeto.

Alguns cachorros latem lá fora, brigam por ossos e território (que só existe na imaginação deles).

Assim também os homens "vivem":
Nascem,
Recebem um nome que nem escolheram (ao qual responderão para o resto de seus dias),
São adestrados: ensinam a eles que existem territórios, posses, limites...
Depois andam por aí latindo e rosnando por territórios, procriação, carne e, por fim, ossos...

Como os cachorros, como os cachorros...

Os cachorros, ah, estes ao menos tem a ventura de nem sempre receberem um nome, e de poderem responder a assovios e estalos de dedos, sem esbravejarem em vão (como fariam os homens).

Os homens, após anos de um trabalho estúpido e massacrante, envelhecem.

Eis que gastam as economias que guardaram por toda a vida para um merecido (sempre futuro) deleite - em remédios.

E deitam no que julgam suas camas,

E morrem.

Sua vida toda, um sonho nunca realizado.

Viveram sonhando o sonho de viver.
Morreram sonhando o sonho de viver.

Sobreviver pode ser tudo, salvo saber sobre Viver.
Só não fracassamos com o que é bruto, pragmático, rotineiro, alienante... É pena que abandonamos arte, emoções duradouras, meditação... Trocamos a vida por algo que não vale mais que "o pão nosso de cada dia".
Aquele que não esteve imerso no oposto - não sabe onde se encontra como ser. Por este motivo é muito difícil para o ignorante reconhecer seu estado e para o sábio possuir humildade. A humildade que alguns sábios passam aos olhos dos outros não passa de pena dos homens inferiores em sabedoria.
Já ouvi muitos relatos de gente que “pressentiu a morte” e coisas do gênero e começaram a se comportar de modo diverso antes dela. Mas, como para tudo existem zilhões de explicações possíveis (com a possibilidade de serem todas falsas), em geral me calo perante tais falácias, ilusões ou possíveis verdades que não consigo abarcar em nenhuma instância.

A vida sempre foi um mistério aos meus olhos e talvez até possa dizer um dos motivos. Não é possível delimitar o que é movimento em nenhuma instância através da linguagem escrita ou falada, mas somente na música instrumental (que, diga-se de passagem, nada diz sobre o movimento, apenas é expressão longe de uma suposta verdade ou ilusão, em si e dependente apenas do que chamam de “sujeito cognoscente”, sem necessidades de consensos). Não se pode parar sua vida e criar cálculos a respeito da mesma, ela não vai parar; não adianta lamuriar-se o tempo todo, ela não vai te ouvir; não adianta dizer que algo ou nada adianta (como estou fazendo), tudo isto não faz diferença alguma no que rege a realidade ôntica, seja lá o que for.

Todo o conhecimento humano não passa de uma mentira auto-refutável e, se pudesse alcançar algo estável (não-falseável e observável “total e totalmente”), atingiria um “argumento circular”, o que poderia consistir numa mera ilusão.

Há tempos tenho sentimentos perante a vida e a morte que creio não enxergar nos seres humanos em geral:
Minha vida anda com uma super-sobreposição de estímulos em todos os âmbitos (desde as necessidades mais comuns às preferências mais, aos olhos dos outros, estapafúrdias), que pareceria loucura aos olhos de uma pessoa o(s) mundo(s) que criei e que estou inserido.
O que tais experiências geraram foi um extremo paradoxo: um mundo de possibilidades que soam infindas e uma “intenção” (por parte minha e das possibilidades que o todo me trouxe) de vazio proporcional. Isto acarreta em sentir-me qual uma criança, que possui o Infinito e o Eterno para desbravar, um Deus, que pode criar muita coisa nunca vista antes, e um-ser-beirando-o-Nada (talvez o que os budistas chamam de Iluminação), que derivou numa falta de ideologia ou ideal que beiram o total ócio quanto à vontade de fazer algo em busca de qualquer coisa que seja.

Vai soar paradoxal agora (mais do que o costume), mas a situação tem se tornado uma espécie de “funil insuportável” para um ser como eu. Penso que, talvez, os seres humanos possuem tanta angústia por quererem uma “essência” e só encontrarem o movimento e a possibilidade que o mesmo deriva. Há, desse modo, uma contradição: o movimento quer ser essência. E, como é óbvio, não consegue.

Só existem duas essências, e ambas se encontram na estagnação. A essência do início e a essência do fim. A possibilidade pura e a impossibilidade pura. Para usar de uma metáfora. Se o universo surgiu de um todo que não possuía, no preciso primeiro instante, uma conseqüência fixa, este universo era essência. Se este mesmo universo, após expandir-se e gerar todas as possibilidades possíveis pós-acausalidade, então este universo voltaria à extagnação (agora impossibilidade pura, por ser impossível retornar ao início: o movimento teria cessado, a energia útil teria sido perdida.)

Se há, como parte do senso-comum acha, algo de sábio na filosofia de Buda, este algo denominado sábio é anti-vida. Mas, há aí um porém, a vida teria que ser (na realidade ôntica) completamente desprovida de sentido. O sábio, por saber que tal vida não teria sentido algum, chegaria a uma conclusão: Eu nada quero, pois nada sou.

Já adiantando que aparentemente cheguei ao ponto que descrevi na filosofia budista, surge então uma questão intrigante: por que maldito motivo (se é que todas as coisas não são pseudo-questões) existe o “sentimento do Eu”? Afirmar que nada quero já é afirmar que exista algo que quer afirmar que nada quer, salvo se fôssemos autômatos sem o que chamam de consciência.

Mas, saindo dessa loucura que é tentar descrever e encontrar algum suposto “conhecimento”, tenho sentido como se alegria, tristeza, raiva, angústia, dor, euforia, entre outros sentimentos que julgava comuns, não mais existissem. Como se a “sabedoria” (nos moldes citados anteriormente) fosse um fardo mais pesado do que estar completamente insatisfeito. Com isto, de uns tempos para cá, não tenho mais encontrado motivo algum para viver e, de modo paradoxal com o observado, não estou triste.
Existem motivos para comer? Para ter um trabalho? Para estudar? Para constituir família? A resposta parece soar - Não.

Ao contrário daquela visão que as pessoas possuem do suicida sendo alguém que não suportou as intempéries da vida, agora parecem me abrir duas novas visões: o suicida sendo alguém que “venceu a vida” em tudo o que se propôs, ou sendo alguém que, por não mais temer a morte e qualquer que seja o destino (mesmo o Nada) após ela, possui uma curiosidade imensa de mergulhar na mesma.
Um calendário, um curioso
curiosando a curiosidade
Minguante:

Minguante é o que Mingua.

Lua? "Lua vai iluminar os pensamentos dela..." (Pagode)

Ah, o deleite-do calendário-do pagode lua minguante!

Bem sei que aquilo não era bem o que era mas tão bem não sei que sei que não era que bem sei que era não-sendo ser.

Ui!
Ui!


Ui!

Tchuri, tchuri, tchufláim!

Fõõõõõ... Saxofone dos mares
Mares businando: terra, quero passar!

Parece-me que as janelas querem dizer algo também; sem busina, por favor.

Ah, sim, a madeira quer voltar a ser árvore?
Já é tarde, já é tarde...

A isto surge a imagem de uma sombra que te acompanha.
É dia de beber luz, sombra minha, é dia. Use este pedaço de cerca como tempero.
"Hm... que delícia de teto solar!"

Espere aqui, sombra, vou transar com espelhos sem reflexo.

Que
assim
não-seja,
Mèma!

No dia 495-2 / 265 A.T. quero casar.

Soneto de Casamento

Amor, vamos reunir os nossos trapos? (decassílabo heróico)
_S exo
I gnorância
M aracutaia

V adiagem
A nal
M ordeção
O ral

S exo de novo
M acumba
E jaculação

T erço
E
R ezar.

Instalo sons e alarmes em carros.
/ tá bom

Começa com um licor
termina com uma girafA

Pi da matemática, Pi da pia
Num ralo de pia existem ambos os pi's.
No Pi existe qualquer combinação de números, logo a pia possui todos os números.
Um erudito de extrema direita disse que o mundo é movido por números, logo o mundo é movido por ralos de pi'as.

Ás de copas, cartas de *aralho (com censura).
Que caralho de censura (sem censura)!

.... .. ...... .. ...... ... ............ ..?
....... ... ...... .. ... ......!
...

P.S.: o final foi censurado.
Por vezes um Fulgor nos toma forte,
Parece haver o Infindo num só feito,
Momentos em que há fôlego sem peito,
Instantes em que há Vida sem a Morte!

As dores não nos ferem, nem tem corte
Que faça-nos parar o vil preceito
De sermos mor que a Luz, um ser perfeito,
Envolto em mais sublime e rara sorte!

Em vão o ser levanta a débil fronte
E tenta superar a Natureza,
Tropeça, cai, trespassa um grande monte...

E quando o ser, enfim, vê da Beleza,
A Morte apaga as luzes do horizonte,
O ser tomba seus olhos na Tristeza...

Partindo dos paradigmas mais aceitos atualmente:

Matéria e a anti-matéria existem por si. O universo, que é formado de tal matéria e anti-matéria, surgiu de uma expansão (que originou Espaço e Tempo) e continua se expandindo.

O todo possui cada vez menos energia útil; reunindo isto à expansão infinda, o número de combinações entre as partículas que compõem este todo tende a zero.

Logo, haverá tempo em que as partículas estarão todas distantes umas das outras e não haverão mais combinações possíveis.

Como tal universo está em expansão, a tendência é que nunca mais partícula alguma se encontre com outra do mesmo universo para formar algo diferente da "partícula essencial".

Por fim, caímos em algumas alternativas:

1) O universo é algo como o coração - que “contrai e dilata” - e voltará ao todo inicial, podendo dar início aos mesmos fenômenos (se puder se contrair ao máximo como antes, e antes, e antes... ad infinitum e ad aeternum, formando uma só massa), o que colocaria o universo como causa incausada e a “causalidade” (e tudo que ela comporta) como imutável e necessária; ou teríamos fenômenos completamente diversos, o que destruiria todo o suposto conhecimento atual das “Leis Físicas”.

2) O universo continuará sua expansão, podendo não ter mais nenhum fenômeno diverso do movimento e da existência por si (o que constituiria a total falta de teleologia da matéria); ou o que restou dele poderia encontrar-se com outros possíveis “universos no caminho” e formular novas “leis químicas” nestes universos, podendo gerar uma miríade de possibilidades ainda não existentes.

Por fim, se algumas das crenças da maioria da comunidade científica atual forem falhas, esqueçam tudo isto.
A arte clichê e a considerada vanguardista partem do mesmo princípio: do princípio do egocentrismo do (suposto) artista.
O indeterminismo elevado à ideologia nos traria uma Arte que tentaria ser espelho da Essência do Caos, da Segunda Lei da Termodinâmica, em suma, da Possibilidade Pura. Tal Arte seria anti-arte por não ser apreensiva, mas, ao contrário, partiria de sua desconstrução e (como por milagre) de um suposto processo criativo original. Ou seja, a Arte, para recriar-se, precisaria matar tudo o que já foi criado (incluindo os próprios artistas envolvidos).

Chacina e suicídio coletivo.

Não vivas tu
Não viva ele
Não vivamos nós
Não vivais vós
Não vivam eles

Votos em vão do "Ano Novo".

Que eu viva
Que tu vivas
Que ele viva
Que nós vivamos
Que vós vivais
Que eles vivam

A quimera do amanhã.

Quando eu viver
Quando tu viveres
Quando ele viver
Quando nós vivermos
Quando vós viverdes
Quando eles viverem

Os que sonharam com o viver.

Eu viveria
Tu viverias
Ele viveria
Nós viveríamos
Vós viveríeis
Eles viveriam

Memórias Pós-Apocalípticas.

Eu vivia
Tu vivias
Ele vivia
Nós vivíamos
Vós vivíeis
Eles viviam
Morreram todas as estrelas,
Todos os planetas habitados,
Todos os amores estão mortos...

Plantas, animais,
Deuses e mitos...
Estão mortos!

Só restou a Música...
Ecoando ao Real,
Ecoando para Sempre,
Mostrando-se a Mãe Legítima do Infinito!(...)
O brilho da Luz nos olhos d’Ela
- Refletindo-se para si mesma! -
Como se quisesse possuir um pouco mais
De luz e olhos que brilham,
De olhos e luzes que enxergam,
Para poder raiar-se e ofuscar-se como Deus...

Deus nunca soube o que é Deus,
Nem que criou coisa alguma.
Se Ele pudesse enxergar por um momento,
Riria... Riria como um louco!

O que faria depois? Ninguém sabe.
Talvez se suicidasse,
Ou
Mergulhasse em si mesmo
Para todo o sempre...
O que seria o mesmo que suicidar-se,
Pois seria estar pleno, ínfimo, preso e liberto
De tudo!, menos de si!, por toda Eternidade!...
Bem, contrariando o “espírito liberto” (?) do blog, escreverei agora uma prévia de vários posts que pretendo ir escrevendo quando estiver com mais paciência.

Arbítrio, (in)sanidade, Psicologia:

As vertentes da Psicologia partem de algumas pré-suposições que, em geral, são tomadas como certas. Em qualquer uma delas existe a seguinte crença que molda todo o direcionamento das conclusões: ou o homem é determinado, ou existe algum tipo de liberdade neste homem.

Vamos partir da primeira conclusão, o homem é completamente determinado. A Psicanálise de Freud e o Behaviorismo Radical de Skinner (as duas vertentes predominantes na Psicologia) consideram que o homem não possui livre-arbítrio algum. Pois bem, sendo assim, que resta então da Psicologia senão algo auto-refutável? E mais, algo que refutaria qualquer outro conhecimento.

_“Nhai! Comu axxim, miguxo Thiagu?”

É simples. Se não existe arbítrio algum, se somos regidos por leis materialistas (que não podem necessariamente comportar nada fora delas) e mecanicistas (imutáveis) cegas de si, as próprias teorias elaboradas por Freud e Skinner são, a priori, frutos de tal causalidade, ou seja, não necessariamente (e muitíssimo provavelmente, salvo uma absurda coincidência do acaso) expressariam qualquer relação com “a verdade” sobre o homem e sequer talvez uma aproximação (por convenções, como a ciência se propõe) com a mesma. Se ambos os teóricos propõem constructos para demonstrar como o homem é determinado, parece que se esqueceram que eles mesmos deveriam ser determinados por estes mesmos mecanismos, o que traria a não-liberdade total de construir qualquer outra nuance diferenciada em suas teorias e, por conseqüência, de apreender qualquer relação necessária com o real.

O mesmo ocorre em dizer que somos frutos de leis bioquímicas imutáveis. Classificar certos comportamentos como "patológicos", taxar com adjetivos como "pessoa sã", "pessoa louca", é crer que somos o único Deus livre e todos os outros são ratos de laboratório cegos para o real.

Enfim, pensem sobre o não-arbítrio detonando com toda a Ciência, amanhã trarei as conseqüência do indeterminismo na minha visão.
Eu que pedi um cigarro ao coveiro para que, ao acendê-lo, fantasiasse que a fumaça é minh’alma subindo aos céus.

Fumaça... fumaça desaparece (como os céus da vida).

Com tal fumaça pretendia eu rasgar os véus do arcano não fosse assim minha mãe estaria morta já num futuro distante passado que nunca se consolidou senão em cinzas e fumaça e céu e portas fechadas entreabertas...

Fui chamar um chaveiro para fazer chaves
Para as portas prostitutas putrescíveis
Profundamente rancorosas
Com sua condição de portas: imóveis, sem vida, trancadas e destrancadas por quem quer que tivesse a chave, estupradas em suas fechaduras, seladas em sua estúpida limitação de...

Portas.

Ah, se eu pudesse um dia volver àquele mundo!
Aquele mundo completamente flores brancas dentro do arroz com feijão.

A isto me vem uma palavra
arroz com feijão
que é a palavra poesia
que de nada serve
nada serviu
nada servirá
senão para matar a fugacidade do tempo
a fugacidade do que é fugaz
ou seja
o tempo
e a poesia.

Quisera escrever com fumaça alguns versos dodecassílabos heróicos!, eles poderiam ser quaisquer versos depois, posto que fossem feitos de fumaça. Mas falta-me habilidade para tal! Onde estará a fumaça que pode tornar-se versos dodecassílabos heróicos senão na possibilidade de existir fumaça que pode tornar-se versos dodecassílabos heróicos?!

Da casa de minh’alma,
subindo aos céus,
num cigarro...

Pedi para que eu fizesse minha mala e fosse viajar junto de mim para muito longe dentro de casa.

E... que restou?
Resta-nos o que restou,
se houvesse um nome para isto
ah!, com certeza,
Não seria o nome Resto...
E hoje,
por mais que o poeta se esmere
para cantar a infância,
não pode,
pois é poeta.

E a criança
se pudesse versejar,
não mais seria criança,
fosse assim
não mereceria a infância.
Por que palavras quando temos o silêncio (que é possibilidade pura)?
Que é do ser humano salvo um não-ser há todo instante?
Nunca subtrações ou divisões, apenas adições e multiplicações, eis a fórmula da Sabedoria que reside no Caos.
Quando se está fadado à finitude - nada basta, ou seja, Nada não basta.
Os verdadeiros sábios não escrevem por dois motivos:

1) Preguiça, a suprema virtude humana.
2) Saber que toda palavra carrega em si a mentira.

Para que tentar perpetuar algo já fadado ao nada?
Quem critica muito, cria pouco. Isto é uma crítica.
Ser triste ou feliz não faz sentido,
estamos...

Por este motivo,
quando nos encontramos,
surge a pergunta
"como você está?",
jamais
"como você é?".
Falar em Arte é reduzi-la a um bando de palavras inúteis. Falar em qualquer coisa é reduzir tal coisa, mesmo quando parecemos expandir os saberes e visões a respeito. As árvores, por não falarem, não erram. A linguagem escrita ou falada são as maiores mentiras já inventadas, não acreditem no que digo ou escrevo (incluindo isto). Duas pessoas nunca lêem ou debatem a mesma coisa; a "mesma pessoa" ao ler qualquer coisa pela segunda vez - não lê a mesma coisa (fisicamente e em entendimento). O único modo de negar é afirmar, o único modo de afirmar é negar.

Cuspa na gramática, não diga nada sobre Arte, apenas contemple e crie o que for capaz.
Louco é aquele que diz que exista loucura, não passa de um míope que pensa estar munido de um telescópio.
Onde um ponto ou uma vírgula mudam o destino de vidas, convenções (conhecidas como conhecimento) deveriam ser motivo de riso. Seria de espantar se uma espécie que cultue "gramática", "Direito" e "matemática" sobrevivesse por muito mais tempo; tal mundo está perdido nas mãos de seres tão medíocres e hipócritas como os seres humanos; tal espécie, por sorte, está fadada ao suicídio.
O filósofo, por só pensar em pensar e pensar que pensa, jamais eleva seu pensamento além do próprio ato de pensar.
O surrealismo não passa de um novo sonho (ou, por vezes, dogma) de causalidade.
Mede-se a banalidade de um feito pela medida que o sujeito-ação convenciona temporalidade. Mensurar é um vício entre os mortais.
O Cosmos se renova há cada instante, me externar é prender uma parte dele (que já não existe), não deixar que ele mostre sua "real" nova face por alguns instantes. Toda Arte é tola, salvo a Arte incompreensível até ao artista que (supostamente) a "produziu".
O único ideal que devemos buscar é o ideal da destruição total das idéias. Mesmo tal ideal deve ser perseguido até que cesse. Sendo assim, ao final da última quimera (vulgo idéia), seremos como tudo que é em si – livres, mortos, naturais, sem necessidade alguma, mesmo até de existir.
A maior dor que existe é a dor da escolha. Logo - ao contrário do que se pensa em geral - quanto maior o poder, maior a dor.
O excesso de razão só nos transborda de emoção, o excesso de emoção só nos transborda de razão.
Pensar é não saber. Saber é não pensar.
Cá estou eu, despido, nu,
coberto de mim mesmo.

Cá estou eu sem estar.
Nada sou, nem mesmo é o dizer que nada sou.

Que é de estar senão um instante entre dois não-estar?

Fórmula: peguem o Cosmos, misturem a ele uma dose homogênea de zero absoluto, torna-te preso em uma bolha que não pode ser afetada por aquela dimensão. Anote todas as posições.
Solta então, por um mísero instante (já convencional), todo o Cosmos. Anote as novas posições, as novas combinações, as novas “Leis”.
Uma terceira vez.

Pronto. - O resultado? - Conhecimento algum existe.


Azar o seu,
Azar o meu,
Azar o nosso.

O único intuito do sábio é o morrer em breve.
Em breve, pois não vai morrer.
O além-sábio é suicida.

O suicida é movimento.
O movimento é ilusão.
O suicida é ilusão.

- Lógica? A lógica é suicida.
Por sinal, nem mais é, pois já morreu.
Oh! Só o que é morto é. Então é. Não é?

Cubram-se então todas as faces
De uma profunda angústia incognoscível!
Nascível,
Nociva...

Para tais horas há o sexo,
Não um sexo qualquer, mas aquele
Que faz flutuar-e-abismar, simultaneamente.

Uma dose literária advinda de um fungo agonizante, ou...

Fungo, por favor, me dê uma dose:
De Grito,
De Dor,
De Sombra,
De Tédio,
De Nada!
Caminhos sem curvas pertencem somente aos que possuem freio de burro nos olhos, em suma, pertencem somente aos que são como cavalos que não podem enxergar os lados.
Nos dias mais insuportáveis - nem elogios são capazes de nos abalar.
Para os seres humanos - quase numa mistura homogênea - o viver é uma tentativa de viver.
Viver é uma tentativa incessante de contemplar a possibilidade.

Estar morto é ser possibilidade.
Estou preso em minha liberdade.
Estou liberto em minha prisão.

A passagem do passo ao passar e vice-versa e versa-vice.

Um passo passa ao passar de um pé passante
e
O passo passa ao passar de pés passantes.

Morte?

A morte, em verdade, só existe para o próximo ou no noticiário. Você, ao morrer, não será avisado, sequer saberá que morreu.
A! já sei...

O andar andará
A um palmo do chão
A um palmo do ar
Por onde andarão as preces
Em vão

Por onde andarão as luzes
Sem fim

Por onde andarão os sons
A ecoar


Por onde andará o andar?
Não sei se é no ar,
Não sei se é no chão...
A luz é sábia,
não possui pré-conceitos:
ilumina sem escolher,
aquece sem escolher.

A luz é bela
por não ter vaidades
por nem saber que é luz.

A luz é feliz
por nada querer.

Sejamos como a luz,
apenas-sendo-sem-ser.

Nomes sem sentido - Parte II

Por que nomeamos as coisas?
A luz de agora é diferente da de outrora por sua própria existência (enquanto é em si) e inexistência (por “ser a palavra” luz).
As coisas nem deveriam receber o nome de coisas.
Sequer existem coisas, existe somente A Coisa; todas as coisas são uma só.
Já estou coisificando muito, ou seja, coisando ainda mais a coisa.
Enfim, deixemos a coisa-não-coisa em paz, sem nome(s), pois é assim que ela é.
Antigamente tínhamos ilusões que demoravam para passar, hoje trocamos de ilusões como trocamos de roupas.
Toda promessa no amanhã é uma promessa anti-morte.
A música está acima de tudo e, paradoxalmente, mergulhada em tudo, inclusive no que é pura possibilidade (até o momento).
Poucos dispõem de tempo para viver. Todos dispõem de tempo para morrer.
Não passamos de um ponto que um dia será apagado de uma folha. A única diferença é a força com que pontuamos o papel que preenchemos; alguns pontuam forte e, por este motivo, jamais conseguem ser apagados; outros, já enfraquecidos, quase nem pontuam, ou o fazem de modo tão frágil que é para serem esquecidos - como se nunca tivessem sequer existido. Por fim talvez a folha seja rasgada e jogada no lixo por uma lei qualquer da Natureza, mas, inda'ssim, restará algo do ponto - disseminado, possibilidade pura, (in)existência em si.
Se alguém deixasse de se ver como centro de todas as coisas - deixaria de existir.
A idéia de que os acontecimentos sempre voltam a ocorrer é tão tola como a de que os acontecimentos são eterno movimento sem possibilidade de repetição. A única coisa que é nos acontecimentos é o “não-é”. Afirmar o vir-a-ser e o já ter sido são ilusões úteis para a manutenção da vida, só.

Biografia de uma escada.

A es
Cada Que
Terminava
No nono andar
do subsolo. Ponto.

Foi-se subindo
e descendo,

e descendo
e subindo,

até que subiu e desceu e desceu e subiu...

E nunca mais ninguém a viu.

Até que um dia ela resolveu
Voltar e ser contrária às
Leis. De cima pôs-se
Para baixo, torcen
Do-se como se
Quisesse su -
Plantar a
Si.

Pronto, ponto, .
E assim foi, feliz para sempre, su(bterraneamente)plantada.
Perfume da luz,

Vo
Ci
Fera
Nte

(feirante)

. movimento

Soneto? um soneto, dois sonetos...
Sem verso, sem sonoridade alguma,
Com métrica, mas sem vida nenhuma
Nem rima rica nos seus vãos quartetos.

Agora vou fazer com rimas ricas,
De dois em dois eu vou acentuar,
De dois em dois, assim, de par em par;
Talvez co’a rima espante minhas zicas.

Ter
Ce
To 1.

Ter
Ce
To 2.

Pronto, minha obra de arte!

Vamos aos modernos...

Aos MO-DER-NOS,

Mo
- mO
-- MO
--- Mo
---- mO

Dernos , (?) ! . ?

Ternos, ternos! Clássicos e Modernos,
ambos usavam ternos.

Os modernos fugiam da rima
Não vamos rimar nada
Certo?
Errado!

Errado?
Certo!

Fugir da forma não seria dar forma?
Fugir de toda regra é estabelecer nova regra!

Atonalismo.
Atonalismo... dodecafonismo... serialismo...

Blábláblá ismo.

Vamos prosseguir:

Dadaísmo. Surrealismo. Expressionismo.

Chega dessa “prosseguição”.

Vamos “persoguir” outra cousa.

Chega de aspas tambem, eh ora de escrever tudu erradu sem aspas.

Tambem naum vou mais usar virgulas nem pontos nem Parenteses nem nada
Porque
assim Podemos
Ter
mais
liberdade com uma interrogacao entre Parenteses aqui

vamos conversar virgula proponha um tema ponto final

Falemos de morte.

Não morri hoje, mas pode ser amanhã. (amanhã já chega, são 23:59) – na verdade escrevo isso no blog às 11:55
Se você não morrer hoje, pode ser amanhã.

Desde que existe vida (?) – sopa primordial? – reside a possibilidade pura.

Por que falo tanto em Possibilidade Pura? Ninguém sabe o que é tal cousa. Nem eu. Talvez sinta-me bem por tal motivo.

Chocalho, chocalho...

shhhhhh


shhhhhhh



bravooo, bisss!
Queria morrer só um pouquinho.

Toda morte será igual?
Tudo que sei é que nenhuma vida é igual.

Se toda morte for igual, ela prova que não existe justiça.

Se toda justiça fosse igual - a mesma não precisaria ser inventada.

Se inventar fosse inventar, ninguém compreenderia.

Se ninguém compreendesse - seria só para si.

Se fosse só para si seria "A Verdade".

Se fosse "A Verdade" seria cega de si.

Se fosse cega de si - seria feliz.

Se fosse feliz - não existiria.

Se não existisse, eu não estaria aqui.

Se eu não estivesse aqui, você não estaria lendo.

Se você não estivesse lendo, não sei que seria de ter estado aqui.
Estou pleno de mim mesmo ou eu mesmo estou pleno de estar?
Acordei como quis acordar - acordando mais uma vez.
Nos dias de hoje - não se importar é importante.

Nos dias de hoje - é importante não se importar.

É importante?
Não, não é importante. Sim, não é importante.

Não?
É importante!

Que é importante?...
Não sei.
A chuva que cai não lava o chão lava os olhos
não são lavados já são límpidos
não necessita ser lavado
é o que não tem alma
não existe
eu não sei
nada
não existe
Existe no não existir
existe a possibilidade
existe
Vida
E
Morte
A cadência vem caindo incandescente
Azuis e lilases...
Lilases e azuis...

Vem caindo a cadência incandescente
Azuis e lilases...
Lilases e azuis...

Incandescente, a cadência vem caindo
Azuis e lilases...
Lilases e azuis...

Chuva...
Chuva de azuis e lilases, e de lilases, e de azuis.

Apenas chuva.
Apenas cor.

Nem chuva, nem cor, mas perfume...

Perfumes azuis e lilases
Perfumes lilases e azuis

Por quê? Porque não existem motivos para perguntas, apenas para contemplação.
Só nos encontramos em nossa própria ausência.
Em geral se pensa que a Música é derivada do Cosmos. Mas, em verdade, como todo grande compositor sente, é o oposto que ocorre.
O avesso do avesso nem sempre é o original.

O avesso do não-avesso nunca é o original.
Perdão! Existem mais dois, oh! como sou tolo. Há também o de crer e agrilhoar-se aos mesmos.
O único pecado que existe, em verdade, é o de inventarmos pecados.
Como ia dizendo, é um erro afirmar que exista algum erro...
Enquanto alguns pecam por manterem-se vivos, outros pecam por já terem morrido.
Sei - sem saber - que as coisas que escrevo são mentiras auto-refutáveis e verdades indubitáveis por um instante. Pois bem, vou compartilhar algo não escrito no computador, o que contraria em partes minha idéia inicial de só postar o que me vinha de momento. As asneiras abaixo foram rabiscadas numa aula de Estatística Indutiva, algo deveras falso.

Toda afirmação, salvo uma, é auto-refutável. Agora que essa foi dita - são duas...

Decompondo-se o quantitativo chega-se à conclusão de que ele é tão fidedigno quanto o qualitativo; ambos são ilusões.

Desde a invenção dos signos o saber é impossível.

Um ceticismo que pudesse ser absoluto nos levaria à Possibilidade Pura, a mesma nos daria o "conhecimento" e o desconhecimento, ambos coexistentes e infinitos.

Desde a existência do movimento todo resultado amostral é, a priori, falso.

O erro surgiu quando algo observou movimento. A crença surgiu quando algo observou dois movimentos parecidos.

Da "Ordem" surge o "Caos", não o oposto.

A Matemática é, como a Arte, uma construção descontruída, ambas buscam apreender, retratar e, por vezes, criar. É tolo pensar que a Matemática possa existir sem o sujeito, é loucura pensar que o sujeito humano possa existir sem a Arte.

Bobagem pouca é bobagem.

Que é da Arte senão uma tentativa de afastamento (e, por vezes, quebra) da causalidade?
Dir-me-ão que os clássicos tentam, ao contrário, apreender e retratar as conseqüências da mesma em suas minúcias. No entanto, que criação se alcança com um retrato da crença egoísta, individual e reduzida a qual denominamos “realidade”? Um artista que reduza sua arte a tais artifícios deve ser reduzido à finitude mental dos lógicos, dos racionalistas, dos mecanicistas, em suma, dos crédulos de toda espécie.

Ousaria chamar tais atividades inúteis de Arte?! Se tais coisas são arte, é preferível contemplar o retrato de um espelho ou de uma fotografia. E mais! É preferível mudar para o mato para gravar mugidos...
Já não nos basta o tédio perante o quotidiano, o previsível, o observável ininterruptamente?

Um dos quesitos mais básicos que os deuses devem possuir para que se creia nos mesmos é o poder de criar. Criar nada mais é do que anti-realismo, oposição, quebra, movimento brusco...

Um milagre existe, seu nome é Arte. Eis a maior inimiga da Natureza!
Existem dois tipos de pessoas: as burras que desconhecem sua burrice e as burras que reconhecem sua burrice.

O sexo feminino possui muitos exemplares. Há mulheres burras que não sabem que são burras, mulheres burras que pensam ser inteligentes, mulheres burras que pensam ser geniais. Por fim, há um tipo raríssimo de mulher, a mulher burra que sabe que é burra.

Acho que os filósofos machistas não encontraram nenhum exemplar do último caso. Eu, por sorte, encontrei. Não que isto mude algo,
mas é confortante por míseros instantes.

Creio que a douta ignorância está no fim.

Sabendo que o ser racional só encontra o absurdo da razão ser uma mentira, da loucura da causalidade (que só nos leva ao absurdo) em oposição à acausalidade (que nos liberta em aparência, sem nos libertar) de nada adiantam questões e respostas. Só existem pseudo-questões e pseudo-respostas.

A linguagem é uma coisa manca e estúpida. Quer um exemplo?
"Essa afirmação é falsa". Tu pensas que tal afirmação é verdadeira ou falsa?

No ponto em que me encontro vejo todas as crenças fugazes, no entanto, essenciais para a manutenção dessa paixão inútil denominada vida.

Que venham as ilusões! Quisera ter todas elas!

Só há caos e ordem para um "sujeito cognoscente". Caos e Ordem, em verdade, não existem. Só há pseudo-questões e pseudo-respostas no que concerne à "região de estabilidade" (vulgo organismo), à sua aproximação da possibilidade pura; quando nos mantemos na estagnação em qualquer gênero da vida, nos tornamos cegos para o movimento.

Tolos são os que não procuram contradições todos os dias.
Talvez vou escrever talvez.
Com certeza escrevi talvez.
Com certeza escrevi com certeza.

Com certeza?
Talvez.
pragmatismo sem pragmatismo, cegueira que enxerga algo jamais visto
Disritmia ex-colorir sinais indústria cheiro-do-chiado-de-rádio...
prato de material desconhecido, robôs cantando, o Nirvana
a última nota atonal de um sonho/solo/sono manco
reverberações de um universo agonizante
vômito da eletricidade
do sagrado pós-contemporâneo
bits! bits! bits! fatigados e infinitos... infinitamente fatigados... infinitamente finitos
a oração tecnológica
)...)hosana(...(
o contrário do contrário, não opondo
saindo...
escadinha tentando não ser escada,
pã tu pã
um pé batendo ao teto
/
como
/
se
/
marcasse
/
a edadilasuac mes e aigoloelet ada rbe uq
NÚMERO 2! dois? _II!
o triângulo da espiral quadrada, sem açoite
certo, geografia?
madeira mantendo a maciça manutenção do que mata
flutuações de linguagem...
tããã
tutututu pá (txi...) tutututu pá (txi...)
opondo a oposição da crítica que criticava a crítica
cabelo... cabelo... (des)alinhado (?)

oh! deixa a falta de tudo (correr); chega. Pare entropia, pare!

Nomes sem sentido - Parte I:

Pessimista, realista, otimista.

A razão tinha como projeto encontrar "verdades indubitáveis", hoje não mais (apesar de alguns cientificistas não declarados, ou declarados, ainda possuirem tal ideal). Desde que o método, o juízo de valor, o sujeito cognoscente, e tudo o que permeia o conhecimento é particular (mesmo que derive de algo em terceira pessoa) e limitado, não existe mais conhecimento possível, apenas credulidade.

É triste, mas os seres humanos ainda não admitiram tal cegueira. Como não se pode definir o real, salvo de uma concepção solipsista ou de uma credulidade sentimental extrema e assumida, falar em realista, pessimista ou otimista não faz sentido algum.

Silogismo de cu é rola - Parte I

Tudo = possibilidade pura = movimento incessante.

Nada = impossibilidade pura = sem movimento.

Nada = não-ser.

Tudo, em aparência, ser.

Tudo = possibilidade pura.
Tudo = movimento incessante.
Movimento incessante = não-ser.

Nada = não-ser.

Tudo = Nada.

Tudo = não-ser comportando a possibilidade do ser momentâneo.

Vida = possibilidade do ser momentâneo em meio à possibilidade pura.

Morte = possibilidade pura, inclusive a possibilidade momentânea do nada (d’onde deriva o “medo da morte”).

ah!... gozei!

Existe alguma filosofia ao gozar? Existe alguma crença estúpida? Desafio freiras, padres, pastores, ou qualquer outro ser hipócrita que dá sermão moral sem sentido, que não busque gozar por gozar em sua intimidade.


No mais, como por milagre, na diversidade do ser humano há um ponto em comum: todos expressam o gozo de uma forma pouco observada em locais públicos - gemidos desvairados, profundas contrações musculares, mordidas fortes e repentinas, expressões faciais que mais lembram a dor (quando, em verdade, refletem o oposto a um suposto ser que vislumbre o momento), cerrar os punhos com força suficiente para marcar com as unhas a própria carne...


Em suma, o gozo é o funil do sentimento mais puro, do sentimento de querer para si e só para si, do egoísmo perfeito, completo e mais resumido. Gozar é o ato mais genuíno da vida, o fugaz momento em que o ser não consegue definir o que sente. O ser, simplesmente, goza...


Prelúdio Atonal

Blá blá blá...