Algumas palavras sobre as palavras:

Palavras, que verdadeiramente nos dizem? Quando escrevo sobre macarrão, você não capta o que eu realmente quis dizer, nem eu mesmo consigo expressar. Você não sabe o sabor, mesmo que tenha uma memória a respeito de um macarrão qualquer, você não sabe que sensações tenho em relação ao mesmo.


Se digo que amo, que é amor? Dir-me-ão que existem vários tipos de amores e intensidades. Amor de mãe, amor de apaixonado, amor-amor... O amor que sinto por minha mãe não é o mesmo que você sente, o amor que sinto por minha namorada não é o mesmo que sente pela sua; diga-se de passagem, a intensidade e os “tipos de amor” que sinto por minha namorada - sempre mudam.


É interessante a quantidade de pré-conceitos que temos perante o que desconhecemos ou o que nos desagrada. Simplesmente, na ânsia de potência, procuramos palavras - incompletudes do sentimento – para justificar nossa ignorância ou nossa suposta superioridade.


Se digo que MPB não possui ligação alguma com intelectualidade; se digo que escreveria grande parte das letras de MPB no banheiro, imediatamente milhões de pessoas vão dizer que sou louco, arrogante, que não sei do que falo, que não tenho sensibilidade...


Que resta das palavras daqueles que não possuem sensibilidade sequer comparável a minha? Resta a distância, não uma distância vertical, mas horizontal. Ambos somos Deuses e vermes, cada um dentro de sua cegueira.

Amanhã, por sorte, voltarei com minha sensibilidade alterada, terei novas apreensões, não serei o que sou agora; talvez olhe para trás e diga que tudo foi tolice de minha parte, talvez pareça ainda mais arrogante aos olhos dos outros; continuarei, de qualquer forma, sendo um eterno míope perante tudo, como você.