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Acho que restou algo da infância em nós, não uma chama de ingenuidade, mas uma ânsia de viver - sem saber o que é a Vida em si...
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A Arte é a expressão do que chamo de Possibilidade Pura.
A Possibilidade Pura é essência, o humano - não sabendo expressar tal sentimento de êxtase - externou tudo na Arte.
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A razão supostamente intermedia algo, a fé supostamente intermedia algo, a Arte pode colocar-se como fim, como uma espécie de Deus de Infinitas facetas.
"Minha religião" é uma espécie de contemplação de todas as coisas... das mais ínfimas (grãos de areia e detalhes que fogem aos que estão com pressa) as mais grandiosas (estrelas, música, vento, etc...). Diria que minha religião é o movimento e a tentativa de enxergar uma essência nele.
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Obs.: sem uso de lisérgicos, ao menos de minha parte.
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2 voz(es):
"A Arte é a expressão do que chamo de Possibilidade Pura"; isso me lembra um poema russo:
Silentium
"Ainda não é nascida.
É só canção e poesia,
E está em plena harmonia
Com tudo o que é vida.
O seio da onda arfa em paz,
Mas como um louco brilha o dia
E a espuma pálido-lilás
Jaz no azul-névoa da bacia.
Que em meus lábios pairasse
A quietude original
Como uma nota de cristal
Pura desde que nasce!
Volve … poesia e a canção,
Sê só espuma, Afrodite,
Coração, desdenha o coração
Que com vida coabite!"
Ossip Mandelshtam
Inclusive, foi você mesmo quem disse que o Silêncio é Possibilidade Pura.
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