Não passamos de um ponto que um dia será apagado de uma folha. A única diferença é a força com que pontuamos o papel que preenchemos; alguns pontuam forte e, por este motivo, jamais conseguem ser apagados; outros, já enfraquecidos, quase nem pontuam, ou o fazem de modo tão frágil que é para serem esquecidos - como se nunca tivessem sequer existido. Por fim talvez a folha seja rasgada e jogada no lixo por uma lei qualquer da Natureza, mas, inda'ssim, restará algo do ponto - disseminado, possibilidade pura, (in)existência em si.
Se alguém deixasse de se ver como centro de todas as coisas - deixaria de existir.
A idéia de que os acontecimentos sempre voltam a ocorrer é tão tola como a de que os acontecimentos são eterno movimento sem possibilidade de repetição. A única coisa que é nos acontecimentos é o “não-é”. Afirmar o vir-a-ser e o já ter sido são ilusões úteis para a manutenção da vida, só.

Biografia de uma escada.

A es
Cada Que
Terminava
No nono andar
do subsolo. Ponto.

Foi-se subindo
e descendo,

e descendo
e subindo,

até que subiu e desceu e desceu e subiu...

E nunca mais ninguém a viu.

Até que um dia ela resolveu
Voltar e ser contrária às
Leis. De cima pôs-se
Para baixo, torcen
Do-se como se
Quisesse su -
Plantar a
Si.

Pronto, ponto, .
E assim foi, feliz para sempre, su(bterraneamente)plantada.
Perfume da luz,

Vo
Ci
Fera
Nte

(feirante)

. movimento

Soneto? um soneto, dois sonetos...
Sem verso, sem sonoridade alguma,
Com métrica, mas sem vida nenhuma
Nem rima rica nos seus vãos quartetos.

Agora vou fazer com rimas ricas,
De dois em dois eu vou acentuar,
De dois em dois, assim, de par em par;
Talvez co’a rima espante minhas zicas.

Ter
Ce
To 1.

Ter
Ce
To 2.

Pronto, minha obra de arte!

Vamos aos modernos...

Aos MO-DER-NOS,

Mo
- mO
-- MO
--- Mo
---- mO

Dernos , (?) ! . ?

Ternos, ternos! Clássicos e Modernos,
ambos usavam ternos.

Os modernos fugiam da rima
Não vamos rimar nada
Certo?
Errado!

Errado?
Certo!

Fugir da forma não seria dar forma?
Fugir de toda regra é estabelecer nova regra!

Atonalismo.
Atonalismo... dodecafonismo... serialismo...

Blábláblá ismo.

Vamos prosseguir:

Dadaísmo. Surrealismo. Expressionismo.

Chega dessa “prosseguição”.

Vamos “persoguir” outra cousa.

Chega de aspas tambem, eh ora de escrever tudu erradu sem aspas.

Tambem naum vou mais usar virgulas nem pontos nem Parenteses nem nada
Porque
assim Podemos
Ter
mais
liberdade com uma interrogacao entre Parenteses aqui

vamos conversar virgula proponha um tema ponto final

Falemos de morte.

Não morri hoje, mas pode ser amanhã. (amanhã já chega, são 23:59) – na verdade escrevo isso no blog às 11:55
Se você não morrer hoje, pode ser amanhã.

Desde que existe vida (?) – sopa primordial? – reside a possibilidade pura.

Por que falo tanto em Possibilidade Pura? Ninguém sabe o que é tal cousa. Nem eu. Talvez sinta-me bem por tal motivo.

Chocalho, chocalho...

shhhhhh


shhhhhhh



bravooo, bisss!
Queria morrer só um pouquinho.

Toda morte será igual?
Tudo que sei é que nenhuma vida é igual.

Se toda morte for igual, ela prova que não existe justiça.

Se toda justiça fosse igual - a mesma não precisaria ser inventada.

Se inventar fosse inventar, ninguém compreenderia.

Se ninguém compreendesse - seria só para si.

Se fosse só para si seria "A Verdade".

Se fosse "A Verdade" seria cega de si.

Se fosse cega de si - seria feliz.

Se fosse feliz - não existiria.

Se não existisse, eu não estaria aqui.

Se eu não estivesse aqui, você não estaria lendo.

Se você não estivesse lendo, não sei que seria de ter estado aqui.
Estou pleno de mim mesmo ou eu mesmo estou pleno de estar?
Acordei como quis acordar - acordando mais uma vez.
Nos dias de hoje - não se importar é importante.

Nos dias de hoje - é importante não se importar.

É importante?
Não, não é importante. Sim, não é importante.

Não?
É importante!

Que é importante?...
Não sei.
A chuva que cai não lava o chão lava os olhos
não são lavados já são límpidos
não necessita ser lavado
é o que não tem alma
não existe
eu não sei
nada
não existe
Existe no não existir
existe a possibilidade
existe
Vida
E
Morte
A cadência vem caindo incandescente
Azuis e lilases...
Lilases e azuis...

Vem caindo a cadência incandescente
Azuis e lilases...
Lilases e azuis...

Incandescente, a cadência vem caindo
Azuis e lilases...
Lilases e azuis...

Chuva...
Chuva de azuis e lilases, e de lilases, e de azuis.

Apenas chuva.
Apenas cor.

Nem chuva, nem cor, mas perfume...

Perfumes azuis e lilases
Perfumes lilases e azuis

Por quê? Porque não existem motivos para perguntas, apenas para contemplação.
Só nos encontramos em nossa própria ausência.
Em geral se pensa que a Música é derivada do Cosmos. Mas, em verdade, como todo grande compositor sente, é o oposto que ocorre.
O avesso do avesso nem sempre é o original.

O avesso do não-avesso nunca é o original.
Perdão! Existem mais dois, oh! como sou tolo. Há também o de crer e agrilhoar-se aos mesmos.
O único pecado que existe, em verdade, é o de inventarmos pecados.
Como ia dizendo, é um erro afirmar que exista algum erro...
Enquanto alguns pecam por manterem-se vivos, outros pecam por já terem morrido.
Sei - sem saber - que as coisas que escrevo são mentiras auto-refutáveis e verdades indubitáveis por um instante. Pois bem, vou compartilhar algo não escrito no computador, o que contraria em partes minha idéia inicial de só postar o que me vinha de momento. As asneiras abaixo foram rabiscadas numa aula de Estatística Indutiva, algo deveras falso.

Toda afirmação, salvo uma, é auto-refutável. Agora que essa foi dita - são duas...

Decompondo-se o quantitativo chega-se à conclusão de que ele é tão fidedigno quanto o qualitativo; ambos são ilusões.

Desde a invenção dos signos o saber é impossível.

Um ceticismo que pudesse ser absoluto nos levaria à Possibilidade Pura, a mesma nos daria o "conhecimento" e o desconhecimento, ambos coexistentes e infinitos.

Desde a existência do movimento todo resultado amostral é, a priori, falso.

O erro surgiu quando algo observou movimento. A crença surgiu quando algo observou dois movimentos parecidos.

Da "Ordem" surge o "Caos", não o oposto.

A Matemática é, como a Arte, uma construção descontruída, ambas buscam apreender, retratar e, por vezes, criar. É tolo pensar que a Matemática possa existir sem o sujeito, é loucura pensar que o sujeito humano possa existir sem a Arte.

Bobagem pouca é bobagem.