É fácil visualizar se estamos chegando no último degrau do tédio; neste momento, geralmente, passamos a escrever sobre ele.
Um pensamento pode ser expresso em palavras. Um sentimento, - jamais.
Todas as poesias são medíocres, só há importância no sentimento do autor e no que sente o leitor; as palavras são apenas instrumentos que deflagram o inevitável.
Os sentimentos que tenho são de uma magnitude tão avassaladora que muitas vezes esqueço de minha existência e penso ser o próprio Todo.

(...)Sem Início, sem Meio, sem Fim(...)

(...)O pi possui quaisquer combinações de números (possibilidades) em si. Uma esfera pode ser cortada por uma miríade de círculos - são infinitos que se entrecortam, uns cortando os outros, todos relacionados.

Se este universo for uma esfera, pode ser que exista algo em seu centro que pulsa, gerando uma espécie de freqüência que choca-se com outras freqüências lançadas anteriormente, tornando a expansão do universo acelerada. Caso esta freqüência seja pequena demais (por exemplo, as partículas virtuais), é possível que tenhamos só agora dado conta dela, o que explicaria a aparente incongruência de um universo que perde energia útil expandir-se de modo acelerado e não conseguirmos enxergar o que está movendo tudo isso. Além disso, as partículas (por desaparecerem e retornarem), podem ser derivações de outros universos com fina conexão. Se pudéssemos viajar para muito longe do planeta Terra, talvez pudéssemos verificar uma diferença do número de partículas virtuais, o que (nos moldes da ciência atual), constituiria uma forte evidência de tais partículas (em larga escala e formando uma "onda") poderem promover tamanha força.

Se pudéssemos ter infinitos se entrecortando, haveria uma sobreposição de realidades, gerando uma energia gigantesca que derivaria dali e criando um verdadeiro colapso de espaço-tempo, com tudo se (des)atualizando no sentido macro e micro, o que explicaria a eterna incompletude dos projetos do "conhecimento". Talvez possamos aproveitar a energia de outros universos por derivação de uma espécie de força atrativa gerada pela massa (gravidade) e/ou por pulsos energéticos derivados do suposto "centro". A energia não acabaria, pois o centro seria sempre reabastecido pela energia de todos os universos que derivaria de "buracos negros" e coisas similares que possam existir, criando uma espécie de "motor imóvel" (vulgo Deus), que seria eterno e bastaria para si, reabastecendo os universos em movimento e que "perdem" (entropia) energia para o centro.

Tudo isso geraria a formação de algo sempre novo que é capaz de gerar algo novo, que relaciona-se com os anteriores e torna a produção algo exponencial e indecifrável. Quem sabe essa não é a famosa teleologia da matéria?

No entanto, para que tudo isso possa acontecer, o Cosmos teria que ser uma esfera fechada (mesmo que pudesse esticar-se e contrair-se). O que nos daria uma nova indagação: o que há "fora" dele? O Nada?

Quem sabe o Cosmos não quer saber o que ele é em meio a esse Nada? Quem sabe por isso não criou a vida e o retorno dela à Natureza, produzindo assim uma impressão implícita de memória universal?

Quem soube? Quem sabe? Quem saberá?(...)
Quando você lança uma pedra num lago, as ondas se propagam de tal modo que o lago todo se move. Nossa limitação não nos permite enxergar que, por causa do movimento da pedra, todo o Cosmos se move.

Quando vários pulsos se reúnem, o aparente “ritmo” torna-se “freqüência”, sem que perca a essência. Se pudéssemos ouvir o som que se deriva do movimento incessante do Cosmos, de modo paradoxal, observarvaríamos que tudo soa como uma única nota uníssona desde sempre, não como uma música que muda e possui diferentes elementos em sua composição. Eis o que, cego de si, move todas as coisas.
A essência de tudo, apesar de estar neste instante frente aos meus olhos, penetrando meus ouvidos, forçando minha pele, imersa no sabor e no perfume que agora sinto, dando vida a minha própria vida, - é completamente inacessível e desconhecida. Talvez ela própria não se conheça e, na busca de saber o que ou quem é; numa tentativa última de existência, quem sabe, se suicidou, dando início ao que chamamos movimento.
Procuramos a vida toda algo que encontraremos sem esforço algum após a morte.


A Verdade existe, e a Natureza foi encerrá-la num único Abismo de Luz, no olhar. Nele, todas as coisas, mesmo as mais obscuras, transparecem, como se fossem através das águas mais claras e límpidas.

No entanto, mesmo ele, para a visão, o ponto extremo da expressão do Todo, muda todo instante, sem, no entanto, abandonar sua essência. O olhar é a mais perfeita combinação do antagonismo que rege o Cosmos, da Essência (expressão em si mesma) e do Movimento (necessidade de nova(s) Essência(s)).

Deus, para renascer, se suicida há todo instante.

A maior beleza que podemos enxergar é a própria beleza de enxergar.
Um olhar é uma música visível somente num instante, somente a outro olhar.
A música cria ou recria qualquer estado com uma profundidade implacável quando comparada a qualquer droga ou ciência inventada neste mundo.

Trechos de uma conversa minha por msn com Henrique Tonin:

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Acho que restou algo da infância em nós, não uma chama de ingenuidade, mas uma ânsia de viver - sem saber o que é a Vida em si...

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A Arte é a expressão do que chamo de Possibilidade Pura.

A Possibilidade Pura é essência, o humano - não sabendo expressar tal sentimento de êxtase - externou tudo na Arte.

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A razão supostamente intermedia algo, a fé supostamente intermedia algo, a Arte pode colocar-se como fim, como uma espécie de Deus de Infinitas facetas.

"Minha religião" é uma espécie de contemplação de todas as coisas... das mais ínfimas (grãos de areia e detalhes que fogem aos que estão com pressa) as mais grandiosas (estrelas, música, vento, etc...). Diria que minha religião é o movimento e a tentativa de enxergar uma essência nele.

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Obs.: sem uso de lisérgicos, ao menos de minha parte.

Algumas palavras sobre as palavras:

Palavras, que verdadeiramente nos dizem? Quando escrevo sobre macarrão, você não capta o que eu realmente quis dizer, nem eu mesmo consigo expressar. Você não sabe o sabor, mesmo que tenha uma memória a respeito de um macarrão qualquer, você não sabe que sensações tenho em relação ao mesmo.


Se digo que amo, que é amor? Dir-me-ão que existem vários tipos de amores e intensidades. Amor de mãe, amor de apaixonado, amor-amor... O amor que sinto por minha mãe não é o mesmo que você sente, o amor que sinto por minha namorada não é o mesmo que sente pela sua; diga-se de passagem, a intensidade e os “tipos de amor” que sinto por minha namorada - sempre mudam.


É interessante a quantidade de pré-conceitos que temos perante o que desconhecemos ou o que nos desagrada. Simplesmente, na ânsia de potência, procuramos palavras - incompletudes do sentimento – para justificar nossa ignorância ou nossa suposta superioridade.


Se digo que MPB não possui ligação alguma com intelectualidade; se digo que escreveria grande parte das letras de MPB no banheiro, imediatamente milhões de pessoas vão dizer que sou louco, arrogante, que não sei do que falo, que não tenho sensibilidade...


Que resta das palavras daqueles que não possuem sensibilidade sequer comparável a minha? Resta a distância, não uma distância vertical, mas horizontal. Ambos somos Deuses e vermes, cada um dentro de sua cegueira.

Amanhã, por sorte, voltarei com minha sensibilidade alterada, terei novas apreensões, não serei o que sou agora; talvez olhe para trás e diga que tudo foi tolice de minha parte, talvez pareça ainda mais arrogante aos olhos dos outros; continuarei, de qualquer forma, sendo um eterno míope perante tudo, como você.