O Tempo

O Tempo rouba a força e roga a praga,
Desfaz o feito, torna a luta vã,
O Tempo não se mede pela saga
Nem pela despedida da manhã.

O Sol já nasce e morre... brota a chaga;
Se vai a luz com o verde do hortelã,
E nasce a Lua, a mãe de toda mágoa,
Que torna - para o louco - a vida sã.

Há tempo para tudo e para todos,
E só o que não tem tempo é o próprio Tempo,
Não pode descansar, sequer morrer.

Destrói a Roma, a Grécia, os visigodos,
Levanta e mata sem nenhum intento,
Tecendo a luz do ser e do não-ser!

2 voz(es):

miolodepote disse...

Perfeito... perfeito.

Musicalidade tão cadenciada como há tempos não 'ouvia'. Palavras muitíssimo bem colocadas. Versos em plena harmonia. Imagens extasiantes:

"O Tempo não se mede pela saga
Nem pela despedida da manhã." - Gostei da aproximação entre o 'interminável' e o breve.

"Se vai a luz com o verde do hortelã" - ... belo.

"Não pode descansar, sequer morrer." - Interessante o emprego do verbo morrer, neste verso, como alento.. talvez como recompensa.

Aplausos e mais aplausos.

Thiago Miotto disse...

:)