Título:

(...)

Esfregando a cabeça nas vidraças

Berrava, tresloucado, sem parar.

Roçava nele o sêmen das desgraças,

A dor que não tem cura nem tem par.

(...)

Thiago Miotto, heterônimo de Thiago Miotto

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Uma repentina escuridão abraçou cada centímetro do local. Mesmo com os olhos bem abertos, ele não enxergava sequer um palmo a sua frente. Pelo menos naquele momento, imóvel, não encontrava uma forma de desvencilhar-se daquela escuridão... (é duro quando os olhos demoram para se acostumar com a nova luminosidade)

Um cheiro forte cortava-lhe as narinas e a a água batia com força em seu corpo... (água batendo na bunda é um problema, principalmente quando o cheiro de urina é forte)

Aos poucos uma face parecia surgir a sua frente, era como se seu próprio rosto - agora escuro e com poucos traços visíveis - o observasse... (se ao menos ele tivesse guardado uma vela no armarinho do espelho).

Um cheiro ainda mais forte começou a impregnar o ambiente... O homem, aparentemente só, tatetou ao redor, a fim de encontrar algo que pudesse ajudá-lo a livrar-se daquilo tudo.

Nada encontrou.

Após alguns minutos, já desesperado e suando frio, alguns ruídos começaram a soar muito próximos... Parecia que, em meio àquela escuridão, algo estava sendo amassado e rasgado com força...

Finalmente seus pensamentos encontravam algo que servia de papel higiênico. Na falta dele, foram as páginas daquele poema. Limpou a bunda e foi procurar uma vela.

- Maldita luz que acaba na hora que mais se precisa dela!

6 voz(es):

Thiago Miotto disse...

Acenda a luz, digo, passe o mouse para enxergar todo o post.

Gauche disse...

Eu prometo que não deixarei o manicômio te levar!

A eternidade a você, insano!

Henrique Tonin disse...

Eu prometo que não deixarei o manicômio te levar! [2]

É incrível como umas poucas palavras omitidas e depois reveladas parecem iluminar todo o texto; e o mais incrível é que não são palavras que alteram o sentido geral do texto se omitidas.

Acho que deveríamos deixar um pouco de lado a gramática, a lingüística e a lógica e dar um pouco mais de atenção às possibilidades "sinestésicas" da escrita.

Thiago, você me impressiona mais a cada dia. E isso, vindo de alguém de quem já se espera tanto, é ainda mais impressionante.

Mas... certo, vamos deixar a admiração (que às vezes desmerece seu objeto) de lado.

Abraços!

Henrique Tonin disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Henrique Tonin disse...

É incrível como um comentário, por mais abrangente que pretenda ser, limita. Agora percebo isso.

Leiam o que eu disse sobre possibilidades "sinestésicas", depois esqueçam.

Thiago Miotto disse...

Obrigado, meus caros. :)

Ultimamente não venho comentando quase nada em seus respectivos blogs pela mesma causa da constatação do Tonin: "É incrível como um comentário, por mais abrangente que pretenda ser, limita."

Às vezes penso que pessoas como Charles Ives sofreram não só pela incompreensão de seu tempo, mas pelo silêncio dos poucos que compreenderam algo de sua obra. Muitas vezes as expressões falam por si, noutras é preciso "enxugá-las", quebrá-las e até privá-las de certas características para que elas possam começar a chocar a subjetividade alheia.

Não quero dizer com isso que sou incompreendido, apenas que comentar uma obra ou não é uma faca de dois gumes. Às vezes a limita, às vezes é imprescindível para que não seja abandonada no tempo sem o devido valor, às vezes ambas as coisas.