Movo-me como o Universo: sem nunca estar satisfeito com meus limites, mesmo que eu seja o próprio limite.

Dois motivos da angústia humana:

Quase nunca nos privamos daquilo que pode ser evitado, quando deveríamos nos privar de quase tudo. Em contrapartida, quase sempre tentamos nos privar do inevitável - da morte.
As estrelas nunca morrem
Seu brilho sobrevive
Sempre abraçando mais e mais eternidade
Sempre beijando estrelas inda vivas
Como que as ensinando a brilhar
Sem temer o fim da chama(...)

O Tempo

O Tempo rouba a força e roga a praga,
Desfaz o feito, torna a luta vã,
O Tempo não se mede pela saga
Nem pela despedida da manhã.

O Sol já nasce e morre... brota a chaga;
Se vai a luz com o verde do hortelã,
E nasce a Lua, a mãe de toda mágoa,
Que torna - para o louco - a vida sã.

Há tempo para tudo e para todos,
E só o que não tem tempo é o próprio Tempo,
Não pode descansar, sequer morrer.

Destrói a Roma, a Grécia, os visigodos,
Levanta e mata sem nenhum intento,
Tecendo a luz do ser e do não-ser!
Quanto mais alto brilha a chama, mais rápido é o apagar. Muitos gênios morreram precocemente? Não, só se foram por arderem rápido demais, por sua dignidade, por romperem bruscamente com a realidade e esta não mais comportá-los, como que com medo de uma superação por parte de algo incompleto em si - o ser vivo.